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Vivendo a Plenitude do Evangelho

“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou- me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor.” – Lucas 4:18-19
Imagine dois carros juntos numa estrada indo de uma cidade para a outra. Um deles completo, com ar condicionado, direção hidráulica, freio ABS e todos os opcionais de fábrica que se pode ter. O outro, do mesmo modelo e marca, mas sem nenhum dos opcionais. Você vai concordar que os dois chegarão ao seu destino, mas que a viagem para o primeiro será bem mais confortável e segura que para o segundo. Da mesma forma, dois cristãos que estão correndo as suas carreiras, sendo que, um conhece a plenitude do Evangelho e o outro não, também chegarão no fim de suas jornadas, mas com imensas diferenças. Enquanto um acredita que o Evangelho é apenas a salvação eterna do inferno o outro crê que é a porta de entrada do Reino onde podemos desfrutar das bênção e provisões de Deus. A Salvação é um pacote completo que começa pelo novo nascimento, mas desenvolve-se por meio da fé. Esse pacote, não só nos livra do inferno, mas também nos traz bênçãos para uma jornada bem-sucedida.
O equilíbrio entre o agora e o vindouro

“Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser.”
 – 1 Timóteo 4:8
Muitos cristãos acreditam que tudo o que Deus tem para nós está reservado para um futuro, quando Cristo voltar e levar a sua Igreja. Estas pessoas vivem vidas abaixo das expectativas do Reino simplesmente por rejeitarem ou desconhecerem as bênçãos presentes no Evangelho. Por outro lado, há aqueles que pensam que tudo se resume no hoje, e praticamente não levam em consideração as recompensas futuras que o Senhor preparou para aqueles que forem fiéis. A Bíblia afirma que, se esperarmos em Cristo somente nesta vida, seremos os mais miseráveis de todos os homens (1 Coríntios 15:19). Precisamos ter uma posição equilibrada nesse aspecto. O Apóstolo Paulo nos deixa claro que a piedade, ou seja, a vida cristã, tem a promessa tanto da vida que agora é quanto da que há de ser (1 Timóteo 4:8). Há bênçãos de Deus para o nosso presente e para o nosso futuro, não precisamos ficar preocupados com isso.Quando conhecemos as bênçãos que Deus já nos providenciou por meio de Cristo (Efésios 1:3), temos o que precisamos para que a nossa caminha seja bem sucedida. O que não podemos fazer é focar nestas bênçãos e esquecermos do caminho em si. Elas não têm o papel principal na vida cristã, são um acréscimo e não o alvo (Mateus 6:33).Em contrapartida, a falta de conhecimento ou a incredulidade tem deixado muitos crentes sem usufruir da plenitude do Evangelho. Muitos acreditam que não podemos esperar nada de Deus nesta terra sob o pretexto de humildade. Acham que por sofrerem com doenças e miséria estão realizando a vontade de Deus e, por isso, aumentando a sua recompensa nos céus. Por falta de conhecimento, acabam anulando a Graça de Deus, uma vez que Jesus já pagou o preço por estes sofrimentos na Cruz. Há sofrimentos que são bíblicos, pelos quais o crente deve passar como a perseguição por causa da fé, por exemplo. Cristo deixou bem claro que no mundo teríamos aflições, mas também disse para termos bom ânimo pois Ele venceu (João 16:33). O Apóstolo Paulo falava sobre carregar as aflições de Cristo (Colossenses 1:24), mas enfermidades, miséria e morte não são as aflições pelas quais Jesus passou, a não ser no momento da cruz, onde Ele estava tomando o nosso lugar. Essas aflições são fruto da maldição da lei (Deuteronômio 28:58-68). Jesus foi caluniado, maltratado, cuspido, esbofeteado e escarnecido, mas em nenhum momento, senão em seu sacrifício na cruz do Calvário, vemos o Senhor sofrendo com uma enfermidade nem com a escassez e a morte. Tudo o que Jesus sofreu na cruz foi nos substituindo e Ele o fez uma vez por todas (Hebreus 7:27). Nos resta apenas sofrer a oposição do mundo à Palavra de Deus, mas isto também nos redundará em recompensa futura (Romanos 8:17).

“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo- se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro), para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido.”
  – Gálatas 3:13-14É preciso termos conhecimento e equilíbrio sobre este assunto para que nem deixemos de desfrutar das bênçãos as quais Cristo nos deu o direito de desfrutarmos agora, nesta vida, nem ficarmos fixados nelas e esquecermos de cumprir o propósito pelo qual Deus nos chamou e nos resgatou. Todo crente deve meditar sobre esse assunto e avaliar se está andando neste equilíbrio sadio ou em um dos extremos.

O Evangelho completo
A Palavra Evangelho vem do termo grego euaggelion que significa boas notícias, algo novo e bom sendo proclamado. Todo mundo gosta de receber boas notícias, ainda mais se elas dizem respeito a uma necessidade ou problema específico. No texto de Lucas 4:18-19, ao ler uma parte do livro do profeta Isaías, Jesus aplica a profecia a Ele mesmo. De fato, era o tempo de anunciar as boas novas do Reino porque o Messias havia chegado. Mas, afinal de contas, que boas notícias eram essas? O que as pessoas poderiam experimentar de novo na revelação do Reino? Vejamos o texto:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou- me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidose apregoar o ano aceitável do Senhor.”

É interessante que o texto de Isaías destaca cinco ações para as quais Jesus foi ungido pelo Espírito Santo:

– Evangelizar os pobres; 
– proclamar libertação ao cativos;
         
– restauração de vista aos cegos;              
– pôr em liberdade os oprimidos;
– e apregoar o ano aceitável do Senhor.
Cada uma dessas ações dizem respeito a uma boa notícia que se estava sendo apregoada. Para isso o Espírito santo Ungiu a Jesus e foi isto que o Senhor fez durante todo o seu ministério aqui na terra (Atos 10:38). Mas para que possamos entender as verdades aqui contidas e recebê-las em nossas vidas, precisamos compreender o que significa o último item de nossa lista: “e apregoar o ano aceitável do Senhor”.

O ano do Jubileu
O autor do livro de Hebreus nos diz que as coisas do Antigo Testamento são “sombra e figura” das coisas celestes, que só seriam reveladas no Novo Testamento (Hebreus 8:5). Quando o texto do profeta Isaías falava sobre o “ano aceitável do Senhor”, estava fazendo referência a uma celebração judaica chamada: O ano do Jubileu. O Jubileu é uma celebração judaica que ocorre a cada 50 anos. Eram contados sete semanas de anos, ou seja, sete vezes sete anos num total de quarenta e nove. O quinquagésimo ano era o Jubileu. Este ano era chamado de Yovel que no hebraico faz referência ao chifre de carneiro tocado para anunciar a sua chegada. Outros estudiosos acrescentam ainda uma interpretação de que Yovel faz referência aos verbo hebraico para “trazer de volta”. Esta última faz muito sentido se levarmos em consideração ao que ocorria neste ano (falaremos disso adiante). Você deve estar se perguntando, o que tem a ver o ano do Jubileu com o ano aceitável da profecia de Isaías? Tudo! Pois o primeiro é figura e sombra do segundo. Na verdade o ano aceitável se refere a chegada do Reino de Deus que Jesus veio apregoar. Da mesma forma, quando se chegava o ano Jubileu, em toda a terra de Israel era tocado o chifre de carneiro apregoando a sua chegada. Todos os que receberam a Jesus como seu Senhor e Salvador já entraram no ano aceitável do Senhor, mesmo que não tenham se dado conta disso. É uma realidade hoje nas nossas vidas e precisamos desfrutar dela.

Provisão sobrenatural
“…pelo que me ungiu para evangelizar os pobres;”Vimos anteriormente que a palavra Evangelho significa boas notícias, portanto “evangelizar os pobres” pode ser traduzido como “dar boas notícias aos pobres”. Mas o que seria uma boa notícia para aquele que passa por dificuldades e escassez senão o fato de que a sua provisão chegou? De fato, quando se apregoava o ano do Jubileu os pobres tinham muito o que comemorar.

“Seis anos semearás a tua terra e recolherás os seus frutos; porém, no sétimo ano, a deixarás descansar e não a cultivarás, para que os pobres do teu povo achem o que comer, e do sobejo comam os animais do campo. Assim farás com a tua vinha e com o teu olival.” – 
Êxodo 23:10-11O texto acima se refere a uma das mais importantes leis sobre o amparo aos pobres em Israel. Ela determina que durante os seis anos de cada semana de anos o povo plantaria e colheria da terra normalmente. No sétimo ano porém, eles não podiam cultivar e tudo que nascesse seria para sustento dos pobres. Não é à toa que estes se alegravam a cada sete anos. O ano do Jubileu era tratado exatamente como um ano sabático (sétimo ano de cada semana de anos), contudo, por ser precedido pelo quadragésimo nono ano, que também era um ano sabático, os pobres poderiam desfrutar de dois anos de provisão. Este era um período realmente muito bom para eles. Eles não tinham que trabalhar para plantar, era somente o trabalho de colher confiando na provisão de Deus.

“O ano quinquagésimo vos será jubileu; não semeareis, nem segareis o que nele nascer de si mesmo, nem nele colhereis as uvas das vinhas não podadas. Porque é jubileu, santo será para vós outros; o produto do campo comereis.”
 Levítico 25:11-12

“A terra dará o seu fruto, e comereis a fartar e nela habitareis seguros. Se disserdes: Que comeremos no ano sétimo, visto que não havemos de semear, nem colher a nossa messe? Então, eu vos darei a minha bênção no sexto ano, para que dê fruto por três anos. No oitavo ano, semeareis e comereis da colheita anterior até ao ano nono; até que venha a sua messe, comereis da antiga”
 Levítico 25:19-22

Alguns podem se perguntar: o que garante que algo nasceria nesses dois anos? Ora a bênção de Deus! Os textos de Levítico 25:11-12 e Levítico 25:19-22, mostram que o ano do Jubileu era tratado como um ano sabático e por isso não se podia cultivar a terra, contudo Deus garantiria a Sua bênção sobre a colheita do sexto ano. Isso porque a semeadura era colhida no ano posterior, ou seja, se plantava num ano para se colher no outro. Por isso, eles só voltariam a colher no segundo ano da próxima semana. Deus então promete abençoar a colheita de modo tal que ela duraria três anos completos. O senhor não disse que eles tinham que plantar mais que os outros anos. Eles simplesmente tinha que confiar na provisão de Deus. Glória a Deus que tudo isso é só sombra e figura do Reino em que vivemos! A provisão sobrenatural de Deus está disponível a todos os que ouvem e creem no Evangelho. Quando Jesus diz que veio apregoar boas notícias aos pobres, quer dizer que eles não precisariam passar por uma vida de miséria porque a maldição da Lei estava chegando ao fim na vida de todo aquele que crê. Ele diz em sua Palavra: 

Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas [bens e comida] vos serão acrescentadas.” Mateus 6:33 

Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?”Mateus 7:11

“Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo- vos, em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus.”
 2 Coríntios 9:10-11

“E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades”
 Filipenses 4:19

A falta e a escassez nunca foram o plano de Deus para a humanidade. Tudo isso era a maldição da Lei por conta dos pecados. Uma vez que Cristo nos fez livres dessa maldição, como está escrito – “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo- se ele próprio maldição em nosso lugar...” (Gálatas 3:13) – agora não precisamos mais sofrer com a miséria e a falta. E ainda: “…para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo…” (Gálatas 3:14). A bênção do Senhor acompanhou a Abrahão e este foi bem sucedido e próspero. Tomemos posse então da provisão que Deus nos trouxe em Cristo Jesus para que como Abrahão sejamos bem sucedidos em tudo quanto fizermos. Essa provisão faz pare do Evangelho como ele é.

Livres do pecado

“…proclamar libertação aos cativos” 

Há um outo fato muito interessante no ano do Jubileu que é a libertação de todos os escravos hebreus. Naquele ano, quando se tocavam as trombetas de chifre anunciando o Jubileu, todos os escravos estavam automaticamente livres. Eles não precisavam fazer nada nem pagar preço algum, simplesmente estavam livres. E ainda por cima não podiam ser despedidos de mãos vazias. Os seus antigos senhores deviam dar-lhes dinheiro e provisão para que fossem em paz de volta para as suas famílias.  Por esse motivo, a proclamação do Jubileu era considerada uma boa notícia para os que estavam em escravidão.

Cristo, ao ser ungido pelo Espírito Santo, veio proclamar libertação aos cativos, ou seja, aqueles que estavam sob um regime de escravidão. O Evangelho traz consigo uma mensagem de liberdade a todo aquele que está escravizado. Mas você deve estar se perguntando: Como pode alguém estar escravizado se não temos mais escravidão? Pelo menos nos países com democracia, foi abolido o regime de escravidão tornando-se crime. Seria o caso dessa faceta do Evangelho não ter mais validade em nossa sociedade? De jeito nenhum! Quando Cristo ainda pregava nesta terra, alguns judeus que nunca tinham sido escravos fizeram a mesma pergunta.

Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam- lhe: Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de alguém; como dizes tu: Sereis livres? Replicou- lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres João 8:31-36

Esse texto nos deixa claro o que Jesus veio fazer. Muitos judeus que haviam crido nEle não puderam suportar esse discurso quando o Mestre disse que eles precisariam ser livres. Essas pessoas nunca foram escravas de homem algum, então Jesus diz que elas precisariam ser libertas pela Verdade! Essa afirmação as deixou muito confusas e até indignadas. Contudo, Jesus traz a revelação de que “todo o que comete pecado é escravo do pecado”. De fato, o Apóstolo Paulo afirma: “Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos” (Romanos 6:16). Mas em contrapartida Jesus afirma: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. O Evangelho é a boa nova de liberdade do Reino. Muitas Igrejas costuma fazer cultos de “libertação” onde oram pelos crentes para sejam livres de maldição ou de pecados. Isso não é bíblico. Se fomos libertados pelo Filho de Deus, foi uma por todas. O Apóstolo Paulo fala sobre esse assunto: 

Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos, sabedores de que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai- vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus. Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniquidade; mas oferecei- vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.” Romanos 6:6-14

Não nos resta dúvidas de que de uma vez que morremos para o mundo e nascemos para Deus, no novo nascimento, estamos livres do pecado e ele não tem mais domínio sobre cada um de nós. Aleluia! Viver o Evangelho pleno é saber que não precisamos mais pecar e temos dentro de nós todas as ferramentas de que precisamos para resisti-lo. Sendo assim vivamos a boa notícia da nossa libertação por meio de Jesus Cristo.

“…e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça”
 Romanos 6:18 “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.” Romanos 8:1-2

Saúde divina

“…restauração de vista aos cegos” 

É interessante que quando a profecia de Isaías fala sobre restaurar vista aos cegos, ela esteja se referindo a um tipo de milagre que nunca ocorrera até então. Na verdade, os milagres de cura eram bastante raros no Antigo testamento. A maior parte deles foi realizada pelos profetas Elias e Eliseu. Mas a profecia diz que Jesus foi Ungido para restaurar vista aos cegos. Alguns podem dizer que isso tem um significado metafórico onde restaurar a vista seria abrir a visão das pessoas para o Reino de Deus. Mas com certeza vai mais além disso! O poder de Deus vai além das metáforas humanas. O mesmo Isaías profetizou sobre o Reino e a Glória do Messias:

“Então, se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos; os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará; pois águas arrebentarão no deserto, e ribeiros, no ermo”
 Isaías 35:5-6

Aqui, além de restaurar vista aos cegos, surgem outros três milagres nunca vistos no Antigo Testamento: a cura de surdos, mudos e coxos. Estes foram profetizados como sinais do Messias e eram exatamente estes que vemos em todo o Evangelho. Jesus veio trazer a boa notícia completa de que o Evangelho traz consigo a cura das nossas enfermidades. Alguns judeus não creram nEle, pelo contrário, ainda o provavam para ver se poderia realmente curar.

“Ao retirarem- se eles, foi- lhe trazido um mudo endemoninhado. E, expelido o demônio, falou o mudo; e as multidões se admiravam, dizendo: Jamais se viu tal coisa em Israel!
 Mateus 9:32-33 “Então, lhe trouxeram um endemoninhado, cego e mudo; e ele o curou, passando o mudo a falar e a ver. E toda a multidão se admirava e dizia: É este, porventura, o [Messias] Filho de Davi?” Mateus 12:22-23

Vemos que ao observarem essas curas o povo ficava espantado pois “jamais se viu tal coisa em Israel”. O Messias havia chegado e com Ele o seu Reino que fora profetizado! Quando João Batista foi preso, ele enviou mensageiros a Jesus para confirmar se realmente Ele era o Messias. “E João, chamando dois deles, enviou- os ao Senhor para perguntar: És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro? Quando os homens chegaram junto dele, disseram: João Batista enviou- nos para te perguntar: És tu aquele que estava para vir ou esperaremos outro? Naquela mesma hora, curou Jesus muitos de moléstias, e de flagelos, e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos. Então, Jesus lhes respondeu: Ide e anunciai a João o que vistes e ouvistes: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres, anuncia- se- lhes o evangelho.” Lucas 7:18-22

Afim de fortalecer o ânimo e a fé de João Batista, Jesus não dá uma resposta argumentativa, mas demonstra na prática com curas e milagres que Ele era realmente o Messias profetizado por Isaías e os outros profetas. Esse é o Reino de Deus em que nós que cremos em Jesus como Senhor das nossas vidas, temos entrado. Jesus não só veio trazer a cura como Ele mesmo pagou o preço por nossas doenças. Como está escrito: “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si…”               Isaías 53:4

Doenças e morte nunca foram o plano original de Deus. Elas são consequência da queda e do pecado do homem e, por lógica, uma vez que é o pai do pecado (João 8:44), são obras do diabo. Desde uma simples gripe até o câncer, são feitos de Satanás por inventar o pecado e trazê-lo para a humanidade. Mas Jesus veio desfazer todas as obras do diabo (1 João 3:8), inclusive a doença. A maldição do pecado estava sobre a humanidade. Essa maldição foi expressa na Lei de forma que se os israelitas seguissem os mandamentos, Deus poderia abençoá-los, mas se eles os violassem, então a maldição teria efeito sobre eles. Assim como Jesus veio desfazer as obras do diabo, ele também nos livrou da maldição da Lei (Gálatas 3:13). Desse modo não precisamos carregar as nossas enfermidade pois Ele carregou por nós. Por conta disso, recebamos a saúde de Deus que nos é trazida com o Evangelho. Não podemos viver o Evangelho pleno enquanto não aceitarmos essa realidade nas nossas vidas. A boa notícia de Deus traz consigo a nossa cura.

Autoridade sobre o inimigo

“…pôr em liberdade os oprimidos”

Primeiramente temos que pensar nisso: existe diferença entre libertar os cativos e pôr em liberdade os oprimidos? Sim, e muita! Quando a bíblia se refere a escravidão entre os hebreus, que é a referência para o que está sendo profetizado em Isaías, está falando de uma escravidão voluntária. Quando um israelita se tornava pobre ao ponto de não poder mais se sustentar, ele poderia se colocar como escravo de outro judeu. É o que acontece na parábola do filho pródigo (Lucas 15:11-32). Ele não inventou a solução de se colocar como escravo do próprio pai, estava recorrendo a lei de Moisés. Já o oprimido é diferente. Existe a figura do opressor, que é aquele que por força e violência subjuga o outro. Aquele que se tornava escravo o era por causa de suas próprias atitudes, mas o oprimido por causa de sua condição de fraqueza frente a força de um opressor. Afinal de contas quem é o opressor? Ora o diabo. Quando o homem pecou ele se tornou escravo do pecado e não do diabo. Se tornou escravo de suas próprias paixões e desejos. Então satanás, se aproveitando disso, se pôs a oprimir os homens que por sua vez, não tinham força para resisti-lo. Era uma questão de autoridade. O homem perdeu a sua autoridade uma vez que se colocou debaixo do pecado. Não é à toa que a bíblia chama de o império das trevas: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” Colossenses 1:13

Um império é um governo onde suas possessões e terras são conquistadas pela força. Ele simplesmente chega e, pelo seu poderio militar, se apodera das terras de outra nação. E por que se chama império das trevas? Porque conquista e domina por meio das trevas. A palavra trevas no hebraico é a mesma para ignorância. O diabo reina e conquista por meio de ocultar as verdades de Deus. Mas Jesus veio revela-las a nós.

Em contraste com o império da trevas, a bíblia se refere ao Reino do Filho do seu amor. Um reino não tem as suas possessões tomadas pela força. O reino é herdado de modo que as seu território é legítimo e a sua autoridade incontestável. Se estamos em Cristo, somos herdeiros juntamente com Ele desse reino (Romanos 8:16). Ele veio para estabelecer a autoridade do Reino que é legítima sobre a autoridade do opressor que é o diabo.

“Então, lhe trouxeram um endemoninhado, cego e mudo; e ele o curou, passando o mudo a falar e a ver. E toda a multidão se admirava e dizia: É este, porventura, o Filho de Davi? Mas os fariseus, ouvindo isto, murmuravam: Este não expele demônios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demônios. Jesus, porém, conhecendo- lhes os pensamentos, disse: Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá. Se Satanás expele a Satanás, dividido está contra si mesmo; como, pois, subsistirá o seu reino? E, se eu expulso demônios por Belzebu, por quem os expulsam vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes. Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós. Ou como pode alguém entrar na casa do valente e roubar- lhe os bens sem primeiro amarrá-lo? E, então, lhe saqueará a casa. Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha”
 Mateus 12:22-30

Quando Jesus expulsou o demônio no texto acima, os fariseus começaram a murmurar e o acusavam de expulsar pelo poder de belzebu. Eles não tinham alternativa a não ser reconhecer que Jesus era o Messias, mas ao invés disso preferiram blasfemar e acusa-lo de seguir ao próprio demônio. O mais interessante é quando Jesus explica que ninguém pode entrar na casa do valente sem primeiro amarrá-lo. Isso significa que se Ele estava expulsando demônios e saqueando o império de satanás, porque a sua autoridade era superior. O valente, que é o diabo, estava sendo amarrado pela autoridade de Jesus.
Pôr em liberdade o oprimido implica no uso de autoridade. O Evangelho carrega essa autoridade que reside no nome de Jesus. Se queremos viver plenamente o Evangelho, temos de tomar posse dela, uma vez que nos foi outorgada. Cada crente deve reconhecer a sua posição em relação ao Reino e ao inimigo.

“Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano”
 Lucas 10:19 “E disse- lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado. Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados.” Marcos 16:15-18

“…o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando- o dentre os mortos e fazendo- o sentar à sua direita nos lugares celestiais, 21 acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro.”
 Efésios 1:20-21 “…e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos – e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” Efésios 2:5-6 “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai]” Filipenses 2:9-11

A autoridade do Reino não ficou limitada ao próprio Cristo, mas Ele a outorgou a cada crente que, por meio do seu nome, tem poder para expulsar demônios e pôr em liberdade os oprimidos. Vemos nos textos acima que Jesus se assentou nas alturas acima de toda potestade e domínio, e que nos fez assentar juntamente com ele. Logo, estamos acima de toda potestade e domínio, não devendo temer o inimigo. Não precisamos de rituais, campanhas, amuletos ou qualquer outra coisa. Precisamos sim, entender nossa posição de autoridade no nome de Jesus e com fé acabarmos com a opressão do diabo na vida das pessoas.

Viva o Evangelho pleno


“…como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele”
 Atos 10:38 “Disse- lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse- lhes: Recebei o Espírito Santo” João 20:21-22

Nenhum crente vai viver o Evangelho em sua plenitude enquanto não tomar conhecimentos dessas verdade que falamos aqui. A boa notícia de Deus traz consigo a cura, a libertação do cativeiro do pecado, a provisão sobrenatural e a autoridade do nome de Jesus. Mas há ainda uma bênção de que não falamos e está logo no início do texto: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu…”  A unção do Espírito Santo foi derramada em Jesus para que ele proclamasse as boas novas do Reino. O Mestre disse que da mesma maneira que Ele foi enviado pelo Pai, ele nos envia também. O mesmo Espírito derramado sobre Jesus está sobre nós para proclamarmos as verdade do Evangelho. Por esse motivo, não precisamos correr a nossa carreira com medos e temores. Podemos completa-la sem sermos molestados por coisas de que Jesus já se livrou na cruz. O diabo não pode nos parar ne nos atrasar, a não ser que nós mesmo deixemos.

Corra a sua carreira com fé e viva uma vida plena em Deus. Ele reservou tudo isso pra nós, para que possamos nos concentrar apenas em seguir os seus planos e vontade. Temos tudo o que precisamos e pela fé temos acesso a estas coisas. Corramos então e vivamos o “ano aceitável do Senhor” em nossos dias.

Rodrigo Silva é Ministro da Igreja local.

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