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Petrolina - PE

O crente e as mídias

A mídia tem um poder de mudar sutilmente a nossa percepção e aceitação das coisas. De fazer você achar que é normal aquilo que em outro contexto ou situação não seria normal. Quando falamos em mídia, estamos falando em mídias sociais, impressas, televisivas, radiofônicas, todas as formas, modernas ou antigas, de comunicação. Este não é um fenômeno moderno: desde os tempos antigos, quando novos imperadores assumiam o poder, eles faziam de tudo para desconstruir o passado, porque queriam passar a mensagem de que eles trariam a mudança e melhorias para aquele povo.

Em Mateus 13:14-15 se diz: “Ouvireis com os ouvidos e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados.” Neste texto, a Bíblia está falando que as pessoas viam, mas não conseguiam ver (entender corretamente). De alguma forma aquelas pessoas perderam a sua percepção das coisas.

E não é diferente nos dias de hoje. A mídia tem o poder de mudar a nossa percepção. Aquelas pessoas estavam tão envolvidas com a mídia daqueles dias, com o que os fariseus estavam falando sobre o Messias, que eles não perceberam que o próprio Messias estava diante deles. As nossas mídias, de uma forma geral, não vão enfatizar aquilo que Deus está fazendo na terra. Não estou falando como um aspecto negativo, talvez essa não seja mesmo a função das mídias “seculares”. Mas nós precisamos entender esse filtro seletivo que a mídia tem com respeito a comunicar as notícias, para que a nossa percepção da realidade não seja guiada pelo que a mídia está querendo colocar ou vender para nós. Dificilmente você veria a notícia de uma grande cruzada evangelística com dois milhões de pessoas recebendo Jesus em uma noite. Mas talvez você veja a notícia de um outro grupo de 5 mil pessoas com outra finalidade, porque a mídia tem um ponto de vista parcial.

Recentemente uma reportagem trouxe em sua manchete a declaração de uma cantora secular afirmando que não conhecia as 24 pessoas que beijou em seu novo clipe. A cantora queria trazer para a sociedade a ideia de que é normal ter vários “tipos” de beijos diferentes. No texto, ela disse: “Acho que o entretenimento é uma boa porta de entrada para fazer as pessoas se acostumarem com algumas coisas”. Precisamos ter uma percepção seletiva e entender que aquilo que é apresentado na mídia não é mostrado por acaso. Nem sempre o que está passando na televisão reflete o posicionamento da maioria, mas muitas vezes representa uma agenda específica, com interesses específicos, com um financiamento específico. A mídia não representa opinião, ela forma opinião. Se nós não tivermos uma percepção crítica, talvez não percebamos, como aqueles discípulos, as coisas espirituais que estão acontecendo, e vamos deixar passar o que Deus quer para nós nesta geração.

Na sociologia, existe um conceito chamado Janela de Overton, é uma janela de aceitação social com relação a comportamentos. Ela reflete o que as pessoas acham normal ou anormal acerca de algum tema. Se um grupo quer mudar o pensamento de uma população, ele não deve apresentar os extremos, porque eles serão rapidamente rejeitados. Ações de empresas que promovem ideias, que incluem “especialistas”, formadores de opinião, instituições de pesquisa, trazem informações sutis para que a sociedade aceite melhor determinado assunto. Por exemplo, em vez de falar diretamente sobre o aborto, a mídia pode trazer como foco os direitos da mulher. E dentro destes direitos está o lema “meu corpo, minhas regras”. Pela ótica dos direitos da mulher, será que ela não teria direito a abortar? E a sociedade começa a aceitar que em determinados casos o aborto talvez seja aceitável. Depois pode se questionar: se em tal caso o aborto é permitido, por que não nessa outra situação? E assim, algo que era rejeitado por muitos, torna-se aceito, e se você for contra, as pessoas começam a dizer que você é contra os direitos da mulher. A opinião recebe um status moral.

Também precisamos compreender que o primeiro propósito da mídia é lucrar, o segundo propósito é entreter, e o terceiro e último propósito da mídia é ser informativa. E, como o entreter é maior do que o informar, muitas vezes a pressão pelo sensacionalismo vai ser muito forte na mídia, e vamos ter um jornalismo de opinião. Muitas coisas que estão na televisão ou na internet não são fatos, mas interpretações de fatos. Nós não podemos ter uma polarização que vai nos emburrecer. Ser crente não é ser uma pessoa alheia àquilo que acontece no mundo. Nem tudo que é de esquerda é do diabo, e nem tudo que é de direita é de Deus. O Marxismo, por exemplo, é claramente anticristão, mas nem toda esquerda é marxista. Não seja um crente manipulado. Por isso, eu sugiro acompanhar a mídia daqueles que criticamos e daqueles aos quais somos mais favoráveis, e a partir daí podemos chegar a um equilíbrio debaixo de dois pontos de vista.

Um exemplo claro disso na Bíblia é o dos doze espias. Naqueles dias não havia Facebook, Instagram, Twitter, ou um “Israel News”. A mídia era feita de forma oral, e os espias eram enviados para trazer um relatório e afirmar se era ou não o tempo favorável para conquistar a terra de Canaã. Dez “especialistas” começaram a dizer que não era o tempo adequado, que aquela terra tinha gigantes, que o povo de Israel era como gafanhoto, e assim o povo começou a acreditar que era gafanhoto. Isso significa que, muitas vezes, nós começamos a falar sobre uma crise que ainda nem chegou, mas os “especialistas” começam a dizer que a crise está chegando, e o que você faz? Você guarda o seu dinheiro e não compra as coisas, e a pessoa que vende não lucra e não tem como pagar os seus fornecedores, e assim a crise foi gerada antes mesmo de chegar, por causa da manipulação de um fato. Muitas vezes, a mídia vai induzir você a fazer o que ela quer ou não que você faça.

Se tem um personagem que não é consultado pela mídia, é Deus. Ele não trabalha com notícias, Deus trabalha com visão, com profecia, declarando as coisas que não são como se já fossem. Deus não está tão interessado em como as coisas estão, Ele usa pessoas para dizer como as coisas vão ficar. Foi o próprio Moisés que enviou os espias, isso significa que analisar os dados, fazer planejamento e ouvir as notícias não é errado, mas assim como na geração de Moisés, vamos ter dez espias falando o que o mundo está dizendo e apenas dois falando o que Deus está dizendo. A maioria da nossa mídia não vai estar favorável às coisas de Deus e você precisa entender o que Deus está falando para você. Você não é o que o jornal diz que você é, você não é o que as redes sociais dizem que você é. Você é o que Deus diz que você é. Você tem o que Deus diz que você tem e você pode o que Deus diz que você pode. Eu não estou fazendo um apelo para que você se torne um alienado. Não estou pedindo para que você desligue os jornais. Eu estou dizendo para você entender, quando vir uma notícia, que por traz daquilo existe uma opinião, existe um interesse e você precisa ter um filtro seletivo e analisar o que a Bíblia diz sobre isso e o que Deus diz sobre isso.

O que está ocupando o seu pensamento como crente? Você precisa conhecer bem o verdadeiro para saber reconhecer o que é falso. Existe uma agenda de educação para os seus filhos na televisão e você não pode deixar a TV ou a internet serem o principal educador deles. Você já percebeu que a notícia ruim “rende” mais? O medo “vende”, as pessoas se alimentam do medo e a mídia sabe disso, e se você não tomar cuidado vai viver com medo. Ouvimos sobre o plano do crime organizado, de um governo mal intencionado, o plano para diminuir o seu salário, mas Deus diz: “Eu é que sei os planos que eu tenho a seu respeito”. Você pode até entender o plano daqueles que são seus supostos inimigos, mas porque não entender os planos daquele que criou você? Que tal dizer: ainda que aconteça isso na economia, na segurança, na educação, eu não temerei mal algum, porque eu habito no esconderijo do Altíssimo! Ele não disse para você ignorar o que está acontecendo, mas para saber também os planos que Ele tem para você. O problema daquele povo foi dar mais consideração ao que os dez espias estavam falando do que ao que Deus estava falando. O problema de muitos crentes não é assistir ao jornal, mas dar mais atenção a essas coisas do que à voz de Deus. Qual é a expectativa que está dentro de você? Qual é a percepção que você tem? Se você não tomar cuidado e der mais atenção à mídia negativa, o seu coração pode endurecer. A Palavra de Deus se torna notícia na sua vida quando você crê, porque ela passa a acontecer em você.

Salmos 101:1 diz: “Cantarei a bondade e a justiça; a ti, SENHOR, cantarei.” Música também é mídia, cuidado com o que você está cantando. Não puxe canções que vão levar você para o fundo do poço. Traga canções que louvem a bondade e a justiça de Deus. Cuidado com o que você está ouvindo porque você é influenciável. Escolha bem o que você vai ver, ouvir ou assistir, escolha ser influenciado pelas coisas certas. As mídias não são do diabo, elas são uma ferramenta, cabe a nós darmos um bom uso a elas. As emissoras de rádio, TV e as mídias sociais são muito usadas por cristãos, e têm sido ferramentas para alcançar pessoas para Cristo. Paulo foi o primeiro a usar com eficiência o papiro e as canetas daqueles dias para divulgar o Evangelho, ele criou um sistema de comunicação através das suas cartas. Lutero foi um dos primeiros a usar a imprensa para influenciar grandes massas. Antes de existir qualquer jornal, Lutero começou a traduzir o Novo Testamento para o alemão e distribuir em toda a Alemanha. Billy Graham foi um dos primeiros a utilizar a televisão para pregar a Palavra de Deus.

Ainda sobre o bom uso das mídias, lembre-se de que você não é obrigado a colocar nas redes sociais tudo o que você está sentindo. Você não precisa dizer suas emoções para todo mundo. Aquilo que você lança nas redes sociais não tem volta. Parafraseando Filipenses 4:8, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso que você publique nas suas redes sociais. Uma frase que você posta sem refletir pode impedir você, para sempre, de alcançar promessas que Deus tem para a sua vida. Por isso, examine aquilo que sai da sua boca, porque a boca fala do que o coração está cheio. Que você seja um manancial de vida, uma fonte que exala verdade para as pessoas, que você produza edificação e crescimento para outros. Em vez de desabafar nas redes sociais, descarregue diante de Deus as suas preocupações, pois Ele diz: lança sobre mim as suas ansiedades porque eu tenho cuidado de vós. Deus certamente não vai zombar de você, compartilhar o seu desabafo com outras pessoas e muito menos julgá-lo. Ele é a melhor pessoa para nos ouvir, “publique” suas aflições no altar dEle.

 

Assista a mensagem completa AQUI!

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Um comentário em “O crente e as mídias

Bruno Reyner comentou:

Que palavra maravilhosa, de grande sabedoria! Recebi tudo pai, eu agradeço a Deus por sua vida na minha vida, te amamos paistor Edilson de Lira!❤️

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