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Igreja Evangélica Verbo da Vida
Recife - Zona Norte

MISSÕES: Entrevista com Glause Carneiro (Moçambique)

DSC02933Recentemente, em nossa igreja, entrevistamos a Missionária Glause Carneiro, formada no Rhema Brasil, Escola de Ministros Rhema e na Escola de Missões. Glause, que dia 23 de junho embarcou para Moçambique para viver o seu chamado na nação, nos contou sobre suas expectativas, sua história e como tudo começou.

Confira:

O que é missões?
R: O principal motivo de missões é esse, resgatar o que foi perdido: a adoração ao Pai. Então, a nossa missão é permanecer firme, adorando a Ele sem se perder durante o caminho. E, a nossa jornada é levar pessoas a viver essa mesma vida de adoração, de comunhão com o Pai.

Quando começa o chamado missionário?
R: Você já nasce com esse chamado, você só precisa descobrir. Você não nasce aleatoriamente, você nasce por causa do propósito, então, seu nascimento já estava estabelecido, porque lá em Salmos diz que Ele já escreveu todos os nossos dias. Então, é na descoberta que o seu chamado começa, porque você já nasce com ele, você é a missão.

Como você descobriu que tinha um chamado missionário?
R: Eu era nova convertida, creio que tinha seis a oito meses de evangelho, e eu fui para um retiro e lá, durante uma tarde livre, eu fui ler a Palavra e orar a Deus e, nesse momento, Deus me deu a visão de um povo. Eu estava caminhando e havia uma pessoa segurando a minha mão e me guiando durante todo o caminho e em determinado ponto, ela me mostrava uma multidão e era um povo negro. Eu procurei minha líder e quando eu comecei a contar, ela começou a rir e disse que Deus estava mostrando o meu chamado para missões, e ela me disse: “Você vai ser mãe de nações. Ore ao Senhor para que isso fique mais claro para você, porque uma coisa é certa: um dia, você vai.” E eu comecei a orar, nessa época eu orava muito a respeito da igreja perseguida e orava por muitos países fechados para o evangelho, como Índia, Coreia do Norte, Cuba; mas, quando eu olhava para África, algo queimava dentro de mim, eu sempre lembrava da visão e cada vez eu estava mais convicta que era para isso que eu tinha nascido.

DSC02913Como foi o tempo de espera entre essa visão e a concretização dela?
R: Na igreja que eu fazia parte antes não tinha muito essa explanação do chamado e nem apoio. Então, durante muito tempo, eu pensei que isso era um sonho e deixei guardado, não comentava com ninguém. Esse tempo de espera é bem interessante, pois Deus não nos deixa esquecer, porque o chamado Dele é irrevogável, Ele não se arrepende. Quando se trata da promessa de Deus, não importa quanto tempo passe, o importante é você ter a convicção de que aquele dia vai chegar. Teve uma época em que eu disse que a África era um sonho e, no ano passado, Deus disse: “não é mais um sonho, é uma realidade”. E eu entendi que era real, que eu não precisava mais estar sonhando, mas só viver isso. Nós podemos fazer com que as coisas aconteçam antes, mas quando eu olho para mim eu sei que eu não estava preparada e eu precisava de uma preparação. Ele já tinha o meu coração e a minha disponibilidade, mas Ele estava querendo me dar ferramentas para que quando eu chegasse lá, eu não fracassasse.

Como você soube que a nação para qual você iria era Moçambique?
R: Quando eu fui enxertada na visão Verbo da Vida Zona Norte. Eu sempre olhava para o mapa e questionava: Deus, por eu começo? Qual a porta que vai ser aberta? E, quando o Pastor anunciou a Missão Moçambique, eu não consigo explicar com palavras o que eu senti, mas meu espírito sabia e na hora o Senhor disse: você vai, é a porta que está sendo aberta. E Ele só pediu para que eu confiasse, porque no tempo certo, eu iria. Uma palavra que Ele me deu em relação a isso foi que eu firmasse estacas e eu entendi que iria morar lá e eu lembro que quando o Pr Humberto conversou comigo sobre isso, dizendo que me enviaria de vez, eu fiquei impressionada, porque eu nunca havia falado com ninguém que moraria lá e foi nesse dia que o Senhor me disse que não era mais um sonho, mas uma realidade. Então, Moçambique nasceu dessa forma.

Após a escola de missões, como foi lidar com o fato de que ao invés de ir de imediato para o campo missionário você precisou passar um tempo de preparação, servindo na igreja local?
R: Uma das coisas que mais é dita é que quando acabássemos a escola, precisaríamos entender que não significaria que já arrumaríamos as malas e iríamos para a nação para qual o Senhor tinha nos chamado. Nessa hora, precisamos saber lidar com a alma e na escola uma das coisas que mais tratam com a gente são as nossas emoções, porque um missionário bem-sucedido não o é só espiritualmente, embora esse seja nosso primeiro investimento, a nossa alma deve estar muito alinhada com a palavra, porque a ansiedade e os pensamentos de que você está retrocedendo e de que nada está acontecendo virão e só conseguimos vencer no espírito. Uma das palavras que o Senhor mais falou comigo é que o homem faz planos, mas é Ele quem firma nossos passos, que não compete a mim dirigir os meus passos, porque meu futuro está nas mãos Dele e o tempo e o modo é Ele quem vai mostrar. Não podemos queimar a largada, existem coisas que Deus quer colocar na sua vida e você não pode perder por entrar em ansiedade.

DSC02945Qual a sensação de estar em campo? Quais as dificuldades? Que tipo de preparo é necessário para ser enviado?
R: Não tem maior alegria do que saber que você está vivendo a vontade de Deus; saber que você está trilhando o caminho para o qual você nasceu é algo surpreendente e a sensação também é de muita responsabilidade, porque em missões você está lidando com vidas. Eu olho para Deus e sinto essa responsabilidade sobre as vidas que Ele está colocando nas minhas mãos. Vidas estão dependendo de você para ouvir essa palavra, há um peso de responsabilidade, porque pessoas estão clamando a Deus e você vai ser essa resposta.
Eu fui pro Chile, foram só 12 dias, mas foram dias muito intensos e foi algo que me trouxe muita realidade da vida missionária, estar distante do seu país, distante da sua família, de amigos, da sua igreja, de tudo que você ama e uma das coisas que mais me impactou foi a distância. E, Deus falou comigo que a distância vai ser uma constante amiga do missionário, porque mesmo que você esteja no lugar onde Deus quer que você esteja, no povo que você ama, você teve que abrir mão de algo, você teve que renunciar a sua vida anterior e você não vai simplesmente esquecer. Então, uma das maiores dificuldades é você lidar com isso. Saudade é ausência da presença, as pessoas que você gostaria que estivessem não estão ali e você vai precisar se acostumar, porque como missionários, precisamos lidar com o fato de estar distantes de quem amamos, das coisas que gostamos de fazer, da nossa cultura.
Nós pensamos que estamos preparados, que é só dizer “Senhor, eis-me aqui” e pronto, mas não é. Quando Deus falou comigo que eu precisava ir morar em Campina Grande, foi algo que me impactou bastante, porque eu não esperava por isso; mas, Ele falou que eu precisava de uma preparação, que eu não podia ir de qualquer jeito, porque Ele não queria que eu naufragasse na missão e a falta de preparação faria com isso acontecesse. Nós sempre escutamos no Rhema que tempo de preparação não é tempo perdido e realmente não é. Uma das frases da escola de missões é: “Acrescentar à sua bagagem”. A nossa bagagem vai precisar de muitas ferramentas, você precisa estar preparado para que, quando determinadas coisas aconteçam, você saiba como agir. Uma das preparações muito importantes é estudar a língua do país, estudar a cultura do povo, entender o comportamento deles, porque você não está indo para destruir a cultura deles, mas para apresentar a cultura de Deus. Durante a preparação, vão ter momentos dolorosos, mas é necessário e você terá que renunciar.

DSC02938Como você recebeu a notícia que iria para Moçambique? Qual foi a sensação?
R: Duas semanas antes o Senhor me disse que estava chegando o fim de mais uma temporada, que coisas novas estavam sendo preparadas e que em nada eu teria falta. Quando Deus falou aquilo para mim, eu perguntei: “que temporada é essa? Que coisas novas estão sendo preparadas?”, porque eu estava passando por algumas temporadas e precisava entender qual delas estava chegando ao fim. E ele disse: “algo muito bom vai acontecer”. E numa determinada manhã eu me acordei, novamente, com essa impressão no meu espírito e no domingo, voltando da igreja, eu fui assaltada, mas eu não me sentia roubada em nada, eu estava em paz. E o Senhor falou: “filha, o que o diabo queria roubar ele não conseguiu, ele não conseguiu roubar a sua alegria. Se alegre, porque algo muito bom vai acontecer”. E eu ri, dancei, pulei, adorei. Na segunda, tivemos uma manhã maravilhosa e a nota no meu espírito era alegria. Durante a tarde, Vanessa me chamou e ela estava numa ligação com o Pr. Humberto, que disse que ela deveria reunir todos os funcionários e colocar o telefone no viva a voz e ele disse: “Glause, recebi uma ligação agora e dia 22 você está indo para Moçambique”. Nossa, eu chorei, ri, totalmente eufórica e só vinha isso “o algo muito bom aconteceu”. O diabo queria roubar esse momento, mas ele não conseguiu.

Quais as suas expectativas e o que o Senhor tem falado com você a respeito de Moçambique?
R: O que Deus tem colocado no meu coração é o amor por eles. Eu não estou indo lá para ser mais uma, mas para manifestar aquilo que Deus tem. Eu também tenho no meu coração o desejo de fazer algo pela sociedade, Deus fala muito comigo sobre crianças e mulheres e é através da igreja, através do Rhema, que Deus vai realizar aquilo que Ele tem colocado no meu coração. Crianças e mulheres em Moçambique são muito desvalorizadas e não têm nenhuma credibilidade na sociedade, então uma das coisas que Deus tem colocado no meu coração é resgatar sonhos. Eu desejo fazer trabalhos artesanais para as mulheres a partir dali construírem os seus sonhos e terem recursos para que possam se profissionalizar e resgatar o valor que têm. Além disso, eu desejo mudar a eternidade deles, fazê-los saber que eles têm uma vida, que eles têm um futuro em Deus. Eu sei o que é ser abandonada, eu sei o que é ser órfã, eu fui adotada por uma família maravilhosa, mas eu perdi minha mãe aos 13 anos e foi um tempo muito doloroso, no qual eu não sonhava, não acreditava, não achava que era ninguém e Deus me resgatou para mostrar que eu tinha um futuro. Eu sei o que é ser uma criança desprezada; eu posso ter sido rejeitada, mas Deus nunca me rejeitou e Ele recalculou a minha rota. Então, quando eu olho para minha vida e vejo as pessoas que Ele levantou e sei que Ele quer me usar para fazer o mesmo por outras pessoas, não tem preço, eu me sinto privilegiada de estar sendo usada para resgatar sonhos e vidas de pessoas.

Como você acredita que será a atuação dos missionários nesse último grande avivamento? Qual a importância deles?
R: Durante muito tempo se teve o entendimento que missionário precisava pagar o preço, sofrer, passar fome, dormir na rua e tantas outras coisas que amedrontavam aqueles que tinham um chamado missionário. Então, eu acredito que Deus está levantando uma geração para mostrar, primeiramente, a visão dele sobre missões. Quando você entende a visão de missões, então Deus poderá agir. E, Deus está acordando pessoas onde quer que elas estejam para realizar missões, se levantando em ousadia sem medo de ser missionário, porque isso é um privilégio, é fazer exatamente o que Jesus fez. Eu acredito que Deus está avivando pessoas, eu tenho orado por isso, para que pessoa sejam despertadas para missões, para entender que missões está no coração de Deus e que não é responsabilidade só de alguns, mas da igreja. A igreja precisa entender o papel dela em missões, ela não pode simplesmente largar um missionário no campo, porque missões não se faz apenas indo, mas investindo, orando. Eu acredito que o avivamento, o grande levantar, acontecerá quando essa consciência chegar. Vemos sinais do grande avivamento, porque a igreja está sendo despertada para missões. E, eu sou grata por fazer parte da Verbo Zona Norte, porque nosso pastor tem um coração missionário.

PALAVRA PARA MISSIONÁRIOS: Não desista daquilo que Deus falou, porque vai valer a pena. Independente do que você esteja passando, das circunstâncias, dos desafios que têm se levantado, entenda que o dono da missão é o Senhor. Tudo já está sendo preparado e por mais que as coisas tenham se levantado, Deus acredita em você. Se você está ai é porque Ele te capacitou para, Ele sabe as ferramentas que você têm e pode usar para alcançar vidas. Entenda que sua alegria e sua força vêm do Senhor. Deus revigora força daquele que não tem nenhum vigor, por mais que esteja difícil, por mais que esteja doendo, que a saudade esteja batendo, olhe para Jesus, Ele passou por tudo isso e sabia que algo estava sendo construído; entenda que essas leves, momentâneas e passageiras tribulações que você têm passado estão construindo uma glória de peso maior. Qual é essa glória de peso maior? As vidas que estão sendo salvas, o reino de Deus que está crescendo. Deus conta com você para que o reino Dele avance. Se você está ai, é porque houve um clamor a Deus para que Ele levantasse pessoas que pudessem trabalhar, porque os campos estão brancos, as vidas estão ai para serem salvas. Continue, porque vai valer a pena, porque, quando o grande dia chegar, você estará junto com o Pai e esse povo estará junto com você, adorando o Rei dos reis.

Entrevista por: Heloísa Barros | Fotos: Daniel Domingos. 

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Um comentário em “MISSÕES: Entrevista com Glause Carneiro (Moçambique)

Eliane Carvalho comentou:

Glause, que entrevista maravilhosa! Aqueceu o meu coração e nos enche de fé e entusiasmo! Continue assim avançando e sonhando os sonhos de Deus! Ele é justo e galardoador. Declaro em nome de Jesus você superabundando em toda boa obra! Muitas vidas salvas e um “mover do Espírito” sobrenatural operando em Moçambique e na Africa! Paz seja convosco querida!

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