
Professora do Centro de Treinamento Bíblico Rhema
A Palavra nos ensina que Deus trabalha por estações e períodos determinados. A Escritura revela que Ele administra a história de forma progressiva, conduzindo o Seu plano redentor através do tempo. Esses períodos são chamados de dispensações e cada uma delas está ligada a uma aliança por meio da qual Deus se relaciona com o homem.
Desde o início, no jardim do Éden, vemos a dispensação da inocência, marcada pela aliança edênica, quando não havia pecado e o homem vivia sustentado pela vida de Deus. Com a queda, surge a dispensação da consciência, associada à aliança adâmica, na qual o homem passa a conhecer o bem e o mal. Em seguida, a dispensação do governo humano, ligada à aliança com Noé, estabelece princípios de responsabilidade e autoridade.
Depois, Deus faz uma aliança com Abraão, inaugurando a dispensação da promessa. Mais adiante, temos a dispensação da lei, associada à aliança mosaica, na qual Deus se revela por meio de mandamentos e ordenanças. Em cada uma dessas etapas, o Senhor se revela de forma progressiva, conduzindo a humanidade ao cumprimento pleno do Seu plano.
Mistério da Nova Aliança
Esse plano encontra sua expressão máxima na Nova Aliança, estabelecida na dispensação da graça. Nela, Deus revela aquilo que esteve oculto por gerações: o mistério de Cristo em nós, a esperança da glória.
Os profetas da Antiga Aliança anunciaram tanto a primeira quanto a segunda vinda de Cristo, mas não compreenderam plenamente o intervalo entre esses dois eventos. Eles viam o Messias como o Cordeiro que seria sacrificado e, ao mesmo tempo, como o Rei que governaria com justiça. No entanto, não lhes foi revelado que entre esses dois momentos haveria um tempo específico em que a Igreja seria estabelecida.
Além disso, esse mistério foi revelado na Nova Aliança. Cristo veio como Cordeiro, oferecendo-se em sacrifício pelos pecados da humanidade e voltará como o Leão da tribo de Judá para estabelecer definitivamente o Seu Reino. Entre esses dois eventos, vivemos o tempo da graça, no qual judeus e gentios foram alcançados pela mesma misericórdia.
Há um só corpo
Ademais, a Escritura mostra que tanto os que tinham a marca externa da aliança quanto aqueles que viviam sem ela estavam, em essência, debaixo da desobediência. Deus permitiu isso para usar de misericórdia para com todos. Foi assim que fomos trazidos para perto. Estávamos mortos em nossos pecados, sem esperança e sem futuro, mas fomos alcançados pela graça.
Em Cristo, toda separação foi removida. A inimizade entre judeus e gentios foi destruída na cruz. Agora, não há distinção: há um só corpo, a Igreja, composta por todos os que foram selados com o Espírito Santo. Assim, somos circuncidados no espírito, selados com o Espírito da promessa, que é o penhor da nossa herança.
A Nova Aliança, anunciada pelos profetas, não é como a antiga. Nela, a Palavra de Deus não é escrita em tábuas de pedra, mas no coração e na mente. Dessa forma, Deus nos deu um coração novo e colocou dentro de nós o Seu próprio Espírito. O homem não foi apenas ajustado ou reformado; ele foi feito novo. Recebemos uma nova natureza, capaz de obedecer, amar e permanecer fiel ao Senhor.
Essa aliança não foi selada com sangue de animais, mas com o sangue perfeito de Cristo. Ele é o sumo sacerdote da Nova Aliança, sem pecado, sem mácula, separado dos pecadores. Apresentou-se diante de Deus uma única vez, oferecendo um sacrifício eterno e eficaz. Por isso, hoje podemos nos achegar a Deus com ousadia, com uma consciência purificada, como se nunca tivéssemos pecado.
O sangue de Cristo não encobre o pecado; ele o remove. Somos purificados na consciência para servirmos a um Deus vivo. Em Cristo, fomos enxertados na videira e trazidos para essa aliança eterna. Diante de Deus, somos aceitos.
O autor da salvação eterna
Jesus é o autor da salvação eterna, o autor e consumador da nossa fé e o apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão. Ele continua exercendo Seu ministério sacerdotal e a Igreja participa dessa obra como um reino de sacerdotes. Aquilo que confessamos alinhados à Palavra, Ele mesmo executa, porque Ele é a Palavra.
Na Nova Aliança, não apenas carregamos a presença de Deus, mas nos tornamos o Seu templo. O Espírito Santo habita em nós para que reflitamos a Sua glória ao mundo. Assim como há uma função sacerdotal nos céus, há também uma função sacerdotal sendo exercida na terra por meio da Igreja.
As promessas de Deus não estão limitadas ao tempo humano. Aquilo que ainda não se cumpriu não foi esquecido. Deus é fiel para cumprir tudo o que prometeu. Para cada promessa, há apenas duas respostas da parte de Deus: sim e amém. A responsabilidade de cumprir a promessa não é nossa, mas d’Aquele que prometeu.
Por fim, vivemos confiantes de que Deus continua operando, trazendo provisão, salvação e cuidado a cada dia. Caminhamos sustentados pela fidelidade d’Aquele que nunca falha. Essa é a nova aliança em Cristo Jesus: um relacionamento vivo, marcado por fidelidade, graça e transformação.
*Trechos da mensagem do dia 04 de janeiro de 2026, na Escola Dominical.

