
Coordenador de Comunicação da Verbo Sede
O cristianismo já alcançou cerca de 2,3 a 2,4 bilhões de pessoas no mundo, considerando evangélicos, católicos e ortodoxos. Ainda assim, esse número representa apenas 29% da população mundial. A pergunta que fica é: por que, depois de mais de dois mil anos desde que Jesus ordenou que a igreja pregasse o Evangelho a toda criatura, ainda não se alcançou o mundo inteiro?
Uma comparação ajuda a refletir sobre isso. Em 1923, Robert Woodruff assumiu a presidência da Coca-Cola e estabeleceu como missão da empresa “refrescar o mundo”, com a visão de que o produto estivesse ao alcance do desejo de qualquer pessoa, em qualquer lugar. Em menos de cem anos, a marca chegou a mais de 180 países, cerca de 94% do mundo. A Igreja, com uma mensagem eterna e infinitamente superior, ainda não alcançou essa proporção. Isso não é motivo de condenação, mas de reflexão sobre o compromisso com a missão recebida.
Nos primeiros séculos, a igreja primitiva cresceu sem nenhum recurso tecnológico, apenas pela fé, pela Palavra e pelo discipulado uns dos outros. Esse é o modelo ao qual vale a pena retornar.
Crente ou discípulo?
Existe diferença entre crer e seguir. O crente apenas crê; o discípulo é um seguidor comprometido de Jesus, semelhante a Ele em caráter, que vive o Evangelho e discipula outras pessoas. A grande comissão não se cumpre apenas pregando, mas discipulando, e isso começa dentro de casa, com os próprios filhos.
O texto de Deuteronômio 6 traz esse princípio com clareza. Eles deviam repassar as instruções recebidas aos filhos e aos netos, mostrando que o discipulado é geracional. Além disso, o texto também ensina que discipulado gera obediência, e que a obediência traz bênção sobre a vida e a família. Mais adiante, o mesmo capítulo mostra que o processo começa no coração: não adianta corrigir apenas o comportamento das crianças se o coração delas não for alcançado. E isso exige, antes de tudo, que o próprio adulto seja um discípulo genuíno, vivendo a Palavra para poder transmiti-la com autenticidade.
Três princípios práticos: modelagem, relacionamento e intencionalidade
A modelagem parte do princípio de que as crianças aprendem mais observando do que ouvindo. Elas absorvem o que veem, para o bem e para o mal, e por isso os pais precisam viver aquilo que desejam ensinar, sem a pretensão de serem perfeitos, mas sendo autênticos.
O relacionamento é o segundo pilar. Ter uma relação biológica com os filhos não significa necessariamente ter relacionamento com eles. Relacionamento exige diálogo, tempo de qualidade e proximidade suficiente para conhecer com quem os filhos convivem, dentro e fora de casa. Foi esse tipo de vínculo que permitiu, em uma situação real, que um pai identificasse que o filho adolescente estava sendo pressionado por colegas a acessar conteúdos impróprios. A conversa aberta, sem julgamento, e a confiança construída ao longo do tempo permitiram que o filho se abrisse, recebesse orientação e mudasse de atitude.
O terceiro princípio é a intencionalidade. Bons resultados raramente acontecem por acaso; eles são fruto de um esforço consciente e constante de ensinar e declarar a Palavra de Deus sobre a vida dos filhos, desde muito cedo, inclusive ainda durante a gestação. Declarar identidade, propósito e bênção sobre uma criança, de forma repetida e intencional, é uma forma poderosa de discipulado.
Um chamado a começar em casa
Por fim, fazer discípulos começa em casa. Antes de alcançar o mundo, é preciso alcançar os próprios filhos, vivendo diante deles aquilo que se deseja que aprendam. Quando essa base é construída com modelagem, relacionamento e intencionalidade, o discipulado deixa de ser apenas um conceito e passa a se concretizar dentro do lar, sendo esse o caminho pelo qual a grande comissão também se cumpre.
*Trechos da mensagem do dia 12 de agosto de 2026, no Culto da Família.

