
Integrante do Departamento de Música da Igreja Sede
O Senhor continua vivo. Ele ainda se move entre nós. Sua presença é como o ar que respiramos: essencial, invisível, mas absolutamente vital. É ela que nos mantém de pé, que sustenta nossa existência. Assim como o fôlego que entra nos pulmões, a presença de Deus é o que nos faz realmente vivos. Desde o jardim do Éden, o propósito de Deus sempre foi claro: o relacionamento. Criou o homem para estar em comunhão com Ele. E, por meio de Jesus Cristo, fomos redirecionados para essa realidade — uma restauração da comunhão perdida.
O que era no jardim será numa cidade
Durante uma reunião em que refletíamos sobre o tema “o Céu na Terra”, meditou-se sobre o significado da eternidade e da adoração. Imagens simples, como uma fita vermelha curta presa a um longo fio branco, foram usadas para ilustrar a vida nesta terra em contraste com a eternidade. A fita vermelha representava os nossos breves anos aqui. O fio branco, aparentemente sem fim, simbolizava aquilo que nos espera além desta vida. Esse contraste chama a atenção para o quanto, muitas vezes, nos perdemos nas urgências do agora, esquecendo-nos de que tudo isso é passageiro.
Houve uma canção que ecoou nesse contexto: “O que era no jardim será numa cidade; o princípio é o fim; Deus no meio do seu povo.” Essa ideia expressa o plano divino de sempre: habitar entre os seus. Ele esteve com o homem no jardim, instruiu a construção do tabernáculo, enviou o Filho para habitar entre nós, derramou o Espírito, e culminará habitando novamente, de forma plena e eterna, com o seu povo — desta vez, numa cidade.
Intimidade com Deus
Essa mensagem foi reforçada por uma experiência pessoal que mudou a perspectiva da minha vida: uma visão em que eu me via caminhando num jardim vivo, repleto de flores, até encontrar Jesus sentado em um banco. Ali, eu ouvi: “Você nasceu para estar comigo nesse lugar.” Essa revelação trouxe cura, identidade e propósito — e é o que fundamenta a ênfase no “jardim” como símbolo de intimidade com Deus.
Mas esse jardim é apenas o início de uma jornada. O tabernáculo, a vinda de Cristo, o Pentecostes e, por fim, a Nova Jerusalém formam uma linha de redenção. No Éden, Deus vinha ao entardecer conversar com o homem. No tabernáculo, pediu que Moisés construísse um espaço onde pudesse habitar entre o povo. Em Jesus, Ele “tabernaculou” entre nós. E, hoje, por meio do Espírito Santo, Ele habita dentro dos que creem.
Essa trajetória culmina em Apocalipse 21, que descreve a cidade santa, a Nova Jerusalém, que desce dos céus. Nela, Deus estará com seu povo, enxugará toda lágrima, e não haverá mais morte, dor ou sofrimento. Essa cidade não precisa de templo, pois o próprio Deus e o Cordeiro são seu templo. Ali, tudo será adoração contínua — não como um momento, mas como um estado eterno.
Como será a adoração na eternidade?
- Cristocêntrica — centrada no Cordeiro que venceu.
- Ininterrupta — não haverá fim, pois Deus nunca deixará de ser digno.
- Pura — livre de vaidades, distrações e egos.
- Em amor pleno — pois Deus é amor, e o conheceremos como somos conhecidos.
- Coletiva — um só povo, uma só voz, todas as nações reunidas diante d’Ele.
- Sem templos físicos — o próprio Deus será nosso templo.
- A plenitude do propósito humano — comunhão eterna com o Criador.
A eternidade trará plenitude
O Evangelho não se trata apenas de ser salvo do inferno, mas de ser reconciliado com Deus para sempre. Aquilo que foi iniciado no jardim será consumado na cidade. A eternidade é conhecer a Deus e a Cristo — e isso já começou para aqueles que creem, por meio do Espírito Santo que habita em nós.
Paulo escreveu que tudo o que conhecemos agora é parcial. Ele, que viu o terceiro Céu e recebeu revelações profundas, afirmou que ainda assim seu conhecimento era incompleto. A eternidade trará plenitude: veremos face a face. Conheceremos como somos conhecidos.
A jornada de fé não é em vão. Há galardões reservados, recompensas eternas. A vida nesta terra — aquela pequena faixa vermelha — passa rápido. Mas a cidade está à nossa espera. Persevere. Santifique-se. Doe-se. Vale a pena.
*Trechos da mensagem do dia 03 de maio de 2025, no Culto dos Jovens.

