por Sâmia Rocha
*Professora no Centro de Treinamento Bíblico Rhema

Quando começamos a ler a Palavra de Deus, vemos que ninguém foi criado sem um propósito. Mas nós precisamos ter o entendimento de que o propósito não foi dado para nós, pois quando algo me pertence, eu administro aquilo como eu quero. Às vezes, pensamos que Deus nos deu um propósito e que nós podemos fazer o que quiser com ele, mas não somos nós quem administramos o propósito, é o propósito quem administra a nossa vida.
Quando eu penso que a vida é minha, eu não tenho critérios de com quem eu ando ou o que eu faço. Sabemos que se estivermos com as influências erradas, podemos até começar bem, mas terminará muito errado.
Por vezes, nós limitamos a nossa vida com Deus a momentos ou lembranças passadas. Tornamo-nos saudosistas e pensamos que o melhor ficou lá atrás, mas o melhor está apenas começando. Muitas vezes nos colocamos em situações confortáveis demais e achamos que só devemos obedecer a Deus quando estiver tudo favorável. Estamos muito cômodos na nossa praticidade, na nossa área de conforto, quando precisamos nos levantar em um nível de indignação no nosso coração e dizer: “A vida que estou vivendo não é boa ainda o suficiente, porque existe mais”.
Entramos no piloto automático para avaliar a nossa vida através daquilo que fazemos e não por causa da consciência interior que nos ensina a ser sábios para discernir os tempos e as estações de Deus para nossa vida.
Talvez, o seu tempo seja o de primavera, em que as coisas começaram a florescer na sua vida, e o que requer de você é um procedimento que não é igual ao de uma pessoa que está vivendo um tempo de inverno.
A gente olha para a vida do outro para avaliar como está a nossa vida, em vez de olharmos para dentro de nós e pedirmos sabedoria a Deus para saber contar os nossos dias e saber o que aquela estação requer de nós.
Queremos saber demais para então obedecer. Queremos tocar para saber se é real ou não e queremos ter sinalizações que nos deixam na área de conforto, mas isso é o oposto de fé, pois fé é uma certeza, uma certeza que, muitas vezes, vai contrariar o que a sua cabeça e os seus sentimentos dizem e você precisa seguir.
Às vezes, estamos trabalhando mais para reparação de problemas do que para avanço de propósito.
“Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas. E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Efésios 4.10).
Encher/cumprir todas as coisas é completar, não deixar nada vazio ou desfalcado. O senso que deve estar dentro de nós não é o de trabalhar para chegar lá no topo, porque fazendo isso estamos trabalhando a nossa vida em função de um nome.
Você foi chamado para ser, porque aquilo que você é chamado pra ser, não é para você, é para através daquilo que foi confiado, você sirva de inspiração para outras pessoas. Porque a graça de viver o Evangelho é servir, não é ter. Você serve porque você vive uma vida de obediência a Deus e aí você tem.
Os dons foram dados à igreja em vista ao aperfeiçoamento dos santos. Devemos ver aquilo que não está no lugar e trazer para o lugar, através daquilo que nos foi dado. Até que todos cheguemos à unidade da fé, isso é, todos estarem concordemente olhando para a mesma coisa.
Até onde você está disposto a ir e fazer o que Deus criou você pra fazer?
A nossa vida não pode simplesmente ficar no automático. Por dentro, você precisa estar tão conectado com o senso de tempo e de propósito que você não vai deixar que as pessoas passem por você simplesmente como pessoas comuns, sem saber discernir que naquele dia a pessoa pode precisar do que você carrega.
A gente vive uma vida tão corrida, que nos desligamos por dentro. Não percebemos o tempo do abraço, o tempo da correção, o tempo de deixar o que queremos fazer para fazer o que Deus quer que façamos, apenas querendo ser abençoado. Mas se a bênção está afetando só você, essa não é a bênção que Deus tem, porque a que Deus tem afeta as pessoas que estão ao nosso redor.
Nós pensamos que estar na fé é só falar certo, mas a fé é também estar na frequência certa de Deus para obedecer às instruções e percepções, acompanhados de uma obediência que nos tira da nossa área de conforto. Queira ser a pessoa que faz a diferença na vida das pessoas!
Discirna o tempo de Deus na sua vida e a estação que você está para viver. Cuidado para você não estar tão apegado às coisas, que você não queira soltar no momento em que é para soltar. Não somos nós quem administramos o propósito. Não podemos colocar debaixo da cama o que Deus acendeu.
Não é você quem determina, você obedece. A garantia é de que se você mantiver os seus olhos no lugar certo, quando as circunstâncias chegarem à sua vida, você não vai afogar, você não vai submergir e as bênçãos de Deus o alcançarão.
Lembre-se de onde você parou. Lembre-se de quando você desligou o seu coração e pedia instruções a Deus para guiar o seu coração. A vida não flui da cabeça, flui de um coração rendido e dependente do Senhor. A frase “Jesus é o Senhor” precisa voltar a fazer sentido na nossa vida.
*Trechos da mensagem do dia 05 de fevereiro de 2023, na Escola Dominical.

