
Integrante da equipe ministerial da Igreja Sede
No Novo Testamento, os dons espirituais são mencionados cerca de 103 vezes, quase quatro vezes mais do que as referências ao batismo e à Santa Ceia somadas. Isso não significa que os dons sejam mais importantes do que essas ordenanças, mas que são igualmente importantes para Deus. Por algum motivo, essa verdade se perdeu ao longo da história da igreja, seja pela falta de conhecimento, pelo esfriamento espiritual ou pela falta de busca. Mas temos, aqui na igreja, diversas oportunidades e programações para que isso permaneça avivado em nossos corações. Somos Verbo da Vida: cremos na Palavra, mas também cremos e desejamos os dons do Espírito e o Seu mover. Um dos valores da nossa igreja é o fervor do Espírito, e não vamos perder isso. Vamos avançar.
“A um é dada, em e através do Espírito Santo, uma mensagem de sabedoria; a outro, uma palavra de conhecimento e entendimento, de acordo com o mesmo Espírito. A outro, operações de milagres; a outro, discernimento perceptivo profético (o dom de interpretar a vontade e o propósito divino); a outro, habilidade de discernir e distinguir entre as declarações da verdade dos espíritos e dos falsos espíritos; a outro, vários tipos de línguas desconhecidas; e a outro, habilidade de interpretar essas línguas” (I Coríntios 12.8-10).
Os dons de revelação e a igreja de Corinto
A Palavra de sabedoria, a Palavra de conhecimento e o discernimento de espíritos são os chamados dons de revelação. A igreja de Corinto se destacava justamente pela manifestação desses dons. Estive lá e fotografei, no sítio arqueológico, as ruínas do templo principal da cidade, usado para a adoração ao deus Apolo, que, segundo a crença local, trazia revelação àquele povo. Quando alguém queria uma revelação, ia a esse templo. Havia ali uma profetisa que, de acordo com a mitologia, recebia espíritos, entrava em transe e revelava coisas às pessoas. Como se tratava de uma mentira, ela não prevaleceu, e hoje restam apenas ruínas. Mas o que é do Espírito permanece. Rick Renner nos ajuda a entender, em seu livro sobre os dons espirituais, por que realmente precisamos deles, e nos alerta para que não caiamos em mentiras e enganos.
Palavra e conhecimento inspirados
“Sempre dou graças ao meu Deus por vós, pela graça de Deus que vos foi dada em Jesus Cristo. Porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda palavra e em todo conhecimento, assim como o testemunho de Cristo foi confirmado entre vós. De maneira que nenhum dom vos falta, enquanto esperais a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual também vos confirmará até o fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo” (I Coríntios 1.4-8).
No versículo 4, o apóstolo Paulo ensina a sermos gratos pela manifestação dos dons. No versículo 5, ele descreve a igreja de Corinto quase como uma igreja milionária no que diz respeito aos dons do Espírito, com destaque para os dons de revelação. Quando Paulo fala em “palavra”, não se refere à palavra escrita, mas à ideia de inspiração: a igreja de Corinto era rica em palavra inspirada. O “conhecimento” mencionado ali também não é o conhecimento adquirido pelo estudo, mas algo que vem de Deus. Essa inspiração, que traz revelação, deveria despertar gratidão.
Palavra de sabedoria x Palavra de conhecimento
É importante destacar a diferença entre a Palavra de sabedoria e a Palavra de conhecimento. A Palavra de conhecimento traz a revelação de fatos, um fragmento daquilo que está acontecendo ou que já aconteceu. Não é um conhecimento adquirido por nós através de estudo, mas algo que vem da parte de Deus, seja por uma visão, um sonho ou uma voz. É inspiração trazida por Deus. No Antigo Testamento houve muitas manifestações desse tipo, e hoje, no Novo Testamento, elas continuam. Os dons do Espírito seguem operando.
Em Atos 9.10 vemos a conversão do apóstolo Paulo, e ali a Palavra de conhecimento se manifesta. Ananias foi usado por Deus por meio desse dom. Ele até tinha medo de Paulo, mas foi o Espírito Santo quem revelou a ele que Paulo estava orando. Ananias é chamado de discípulo, o que nos mostra que a Igreja precisa desejar a manifestação dos dons do Espírito, pois qualquer discípulo pode ter esses dons revelacionais operando em sua vida. No caso de Ananias, a revelação veio por meio de uma visão.
A Palavra de conhecimento em ação
Os dons de revelação costumam ter maior intensidade em determinados ministérios, como o ministério do profeta, mas isso não significa que sejam exclusivos deles. Eu ainda estava me descobrindo no ministério quando, durante um culto, recebi a direção de ir até uma mulher, porque Deus queria falar com ela. Permaneci sentado onde estava, sem sair do meu canto, como se aquilo não fosse comigo. O louvor seguia, e o Espírito Santo falou comigo outra vez. Por vergonha, não obedeci e continuei no mesmo lugar. Mas, graças a Deus pelo louvor, na terceira música o Espírito falou mais uma vez: “Se você não for, aquela mulher vai sair sem a resposta que veio buscar”.
A palavra que trouxe alegria
Quando cheguei diante da mulher, veio a inspiração, pois até aquele momento eu não tinha nada preparado. Então falei: “Sei que a senhora tem orado pelo seu marido. O Espírito está me dizendo que ele vai se converter. Daqui a três semanas ele vai se converter e estar aqui na igreja”. Essa mulher recebeu a palavra e ficou tomada de alegria. O dom de profecia, com a Palavra de conhecimento, operou e a edificou em sua fé.
Ela foi edificada, mas eu voltei arrependido e pensativo, com receio de que aquilo não acontecesse e eu ficasse conhecido como falso profeta. Fiquei aflito e disse a Deus: “Senhor, não me deixe passar vergonha”. Foi então que o Senhor me disse: “Lucas, quem mandou você falar aquilo?” Respondi: “O Senhor”. E Deus completou: “Pois sou eu quem zela por minha Palavra para cumpri-la”. Hoje, essa mulher, o marido e os filhos são frutíferos na igreja e já fizeram a Rhema, escola de ministros. Talvez a resposta que seu irmão veio buscar não saia do púlpito, mas de onde você está, saia de você mesmo. A única diferença está em obedecer.
Os dons de revelação e o futuro de Deus para nós
Ananias queria trazer para o natural aquilo que Deus já havia estabelecido no sobrenatural. Deus disse que aquele homem, Paulo, era um vaso escolhido para Ele, conforme lemos em Atos 9.12-16. Essa passagem fala sobre o futuro: é a Palavra de sabedoria em ação. Para que o Evangelho chegasse aos gentios, isso precisava acontecer. Os dons precisam operar para impulsionar ministérios e revelar o futuro, e Deus quer nos mostrar isso. Vemos esse movimento acontecer muitas vezes no Antigo Testamento, quando Deus compartilhava um fragmento do futuro e isso se cumpria. Vemos o mesmo no ministério de Jesus, quando Ele fala sobre a negação de Pedro antes que ela acontecesse.
Rick Renner diz que os dons do Espírito trazem o Jesus da Bíblia para o meio da igreja. Não estamos falando de um Espírito que falava no passado, mas de um Espírito que fala hoje, no meio da igreja, e que quer revelar coisas a respeito do nosso futuro. A Palavra de sabedoria também é condicional: precisamos receber e agir conforme aquilo que foi revelado. Os dons são presentes que Deus nos deu, pois Ele não quer guardar segredo, Ele quer revelar o nosso futuro. Os dons de revelação são grandes facilitadores da parte do Senhor. Afinal, quem conhece o coração do Pai melhor do que o Espírito de Deus? A Palavra de conhecimento e a Palavra de sabedoria são algo sobrenatural, vindo do Espírito Santo. Nós somos templos do Espírito Santo, e Ele está aqui para nos revelar. Podemos receber d’Ele todas as direções.
*Trechos da mensagem do dia 06 de setembro de 2026, na Escola Dominical.

