
Líder do Departamento de Música da Verbo Sede
O que é a adoração em espírito e em verdade?
A Bíblia revela que havia uma desavença entre judeus e samaritanos. Mas Jesus teve um encontro transformador com uma mulher samaritana. Durante a conversa, Ele revelou detalhes profundos da vida dela, que já tivera cinco maridos e que o homem com quem vivia não era seu esposo. Mais do que isso, Jesus falou de uma água que sacia uma sede que não é física, mas espiritual.
“Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar” (João 4:19-20).
A Bíblia também nos diz que Jesus declarou: “Aqueles que creem em mim, do seu interior fluirão rios de água viva.” A mulher percebe que Jesus era alguém especial. Os samaritanos, por causa da divisão territorial, perderam o acesso ao templo em Jerusalém, e isso gerou parte da tensão entre eles e os judeus: a disputa sobre o lugar correto de adoração. Em vez de perguntar sobre qualquer outro tema, a mulher questiona Jesus justamente sobre isso, onde se deve adorar?
“Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos, porque a salvação vem dos judeus” (João 4:21-22).
Onde se deve adorar?
A resposta de Jesus traz uma nova perspectiva. Até então, a salvação era compreendida como vinda dos judeus. Mas algo novo estava sendo inaugurado.
“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:23-24).
A mulher é surpreendida. Jesus não responde com um lugar físico, mas aponta para um novo tipo de adorador. A mulher pergunta “onde?”, e Jesus responde “quem”. Na Nova Aliança, não se trata mais de localização geográfica, mas de uma condição interior.
Muitos ainda buscam Deus em Israel, como se Ele estivesse limitado a um território. Mas Deus não está mais preso a um local. Adorar em espírito está relacionado ao novo nascimento. O homem, manchado pelo pecado, não conseguia mais adorar como no princípio. Toda tentativa era imperfeita. Sem Deus, o homem é espiritualmente morto.
A Bíblia afirma que, se alguém está em Cristo, é nova criatura. O verdadeiro adorador não é aquele que canta bonito ou tem habilidades musicais, mas aquele que adora em espírito, com sinceridade e verdade.
Acesso livre à presença
A Lei foi dada para educar o homem e mostrar-lhe como deveria ser o lugar de comunhão com Deus. O tabernáculo era um reflexo terreno do modelo celestial, revelado a Moisés. Mesmo com esse espaço sagrado, apenas uma vez por ano, e apenas um homem, podia entrar na presença de Deus.
“E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito. E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; tremeu a terra, e fenderam-se as pedras” (Mateus 27:50-51).
Quando Jesus declarou Tetelestai: Está consumado!, Ele inaugurou um novo e vivo caminho. A partir desse momento, temos acesso à presença de Deus.
“Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hebreus 10:19-20).
A carne de Jesus, ferida pelas nossas iniquidades, tornou-se o véu rasgado que nos deu acesso direto ao Pai. Na Nova Aliança, não é o homem que entra na presença de Deus, mas a presença de Deus que entra no homem. Não dependemos mais de paredes para adorar. Isso não significa que congregar não seja necessário, pelo contrário, é um princípio bíblico. Mas o que recebemos na igreja deve ser levado para todos os ambientes.
Adoração não é estilo musical; é estilo de vida. Música lenta é ritmo, não é sinônimo de adoração. A verdadeira adoração é expressa por atitudes que glorificam a Deus.
Em espírito e em verdade
“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Coríntios 3:16).
“Mas o que se une ao Senhor é um espírito com ele” (I Coríntios 6:17).
Ao recebermos Jesus como Salvador, o Espírito Santo passa a habitar em nós. Somos a arca da Nova Aliança, carregando a presença de Deus. A Lei era sombra da realidade que agora vivemos. O que era sombra, hoje é substância. O lugar de comunhão, que existia no Éden, agora é restaurado em nós. Onde estivermos, Ele está. Somos a casa de Deus. E Ele não nos abandona, nem no banheiro, nem em momentos comuns.
Jesus nos conectou a Deus sem interrupções, uma conexão permanente. Somos um com Ele. A mudança que Jesus traz é dupla: de lugar e de formato. Agora, qualquer um pode adorar em espírito, sem depender de habilidades vocais, mas com um coração puro e sensível.
O verdadeiro adorador manifesta a presença de Deus com sua vida. Adorar em verdade é adorar conforme a Palavra. Não buscamos mais objetos físicos para sentir a presença. O que nos conecta a Deus hoje é o nosso coração. O poder está na presença, não nas coisas. Assim, independentemente do lugar ou das circunstâncias, podemos oferecer verdadeira adoração.
“A fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo” (Efésios 1:12).
Ele nos tornou aptos
Cristo nos tornou aptos. Ele nos tornou filhos.
“E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele seja glória e poder para todo o sempre. Amém” (Apocalipse 1:6).
O nome de Jesus nos dá autoridade para reinar, mas também nos chama ao sacerdócio diante do Pai.
“Quero, portanto, que os varões orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade” (I Timóteo 2:8).
Na presença do Senhor, nossas mãos são sinal de rendição e adoração. Na Antiga Aliança, os sacerdotes usavam roupas que se destacavam. Cada ambiente e ocasião exigia uma vestimenta apropriada. Mesmo após o novo nascimento, ainda nos sentimos, às vezes, indignos ou “mal vestidos” para a comunhão com Deus.
“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados… a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria em vez de pranto, veste de louvor em vez de espírito angustiado” (Isaías 61:1-3).
Jesus trocou nossas vestes indignas. Ele trocou as roupas marcadas pelo pecado e nos deu vestes de louvor. Essa nova veste nos torna dignos de estar diante do Pai, sem medo ou condenação, chamando-O de Aba.
A adoração não é mais definida pelo lugar, mas pela identidade de quem adora. Paulo e Silas estavam presos, mas adoraram. O ambiente não era favorável, mas o lugar não importa mais. Importa quem é o adorador. Você é o lugar onde Deus habita. Você é o canal de manifestação e comunicação de Deus.
“Por meio de Jesus, ofereçamos a Deus sempre sacrifícios de louvor, que é o fruto dos lábios que confessam o seu nome (Hebreus 13:15).
*Trechos da mensagem do dia 08 de junho de 2025, na Escola Dominical.

