
Preletora da Conferência de Adolescentes 2026
Existe uma alegria difícil de descrever quando se chega num lugar de adoração e se encontra uma multidão de jovens e adolescentes dispostos a buscar a Deus. É nesse tipo de ambiente que vidas mudam, decisões são tomadas e histórias começam a ser reescritas.
Uma infância marcada pelo sobrenatural
Cresci num lar peculiar. Meus pais sempre tiveram um bom relacionamento entre si, mas a estrutura familiar era estranha. Como minha irmã tem dez anos a mais que eu, sempre senti que tinha chegado no lugar errado, na hora errada. Meu pai era pai de santo, e a única coisa que esse contexto me trouxe de positivo foi manter meus olhos atentos ao sobrenatural desde cedo. Afinal, se existe céu, existe inferno.
Meus pais viviam uma rotina exaustiva de trabalho. Nunca me levaram a um parque de diversão ou ao cinema. Achavam que prover financeiramente era o suficiente. Até hoje eles têm dificuldade em dizer “eu te amo”, e por muito tempo achei que aquilo era normal, porque era o que eu conhecia.
A dor que ninguém viu
Aos doze anos, ingeri bebida alcoólica pela primeira vez. Não apenas bebi: fiquei bêbada. E naquele estado tive a impressão de que meus problemas haviam sido resolvidos. Antes disso, sofri abuso sexual. Quando contei ao meu pai, ouvi apenas que deveria calar a boca e seguir a vida. A pessoa que deveria me proteger se calou, e a referência que eu tinha de homem e de segurança ruiu.
A partir dali, mascarei a dor de todas as formas possíveis. Adotei uma personalidade mais dura, aprendi que não podia contar com ninguém. Na adolescência vieram as bebidas, as drogas, as brigas, a vida que o mundo oferece. Vivia tudo com intensidade, sempre em busca de um alívio que nunca durava.
O fundo do poço e a voz que mudou tudo
Chegou um momento em que o corpo, a mente e a alma não suportaram mais. Entrei numa depressão profunda. Foi quando ouvi pela primeira vez, com clareza, a voz do inimigo me dizendo que aquele dia seria o último. Obedeci. Cheguei em casa e fiz exatamente o que ele orientou. Algo que tiraria minha vida.
Tentei dormir, mas no meio daquele sono ouvi outra voz: “Levante-se, não terminou para você.” Acordei com dores intensas, corri para o hospital com minha mãe e fui socorrida a tempo. Algumas enfermeiras se recusaram a me atender por entender que eu havia tentado contra a própria vida. Sobrevivi, mas voltei para casa com o mesmo vazio.
O e-mail que era Deus falando
Na noite anterior, eu havia chorado a ponto de formar uma poça no chão do quarto, discutindo com Deus. Disse a Ele que não me amava, que não existia, que se existisse não permitiria tanto sofrimento. Na manhã seguinte, um amigo me enviou uma mensagem dizendo que eu precisava ler aquilo. O texto começava assim: “Que bom que você chegou até aqui e que bom que você está me ouvindo. Você tem dito que eu não amo você, que não me importo, que sou ruim.” Era uma resposta literal a tudo o que eu havia falado horas antes.
E continuava: “Você sabe desde criança qual é o caminho. Se você decidir, eu vou mudar sua vida e ela nunca mais será a mesma”. Caí de joelhos e entreguei tudo. Desde aquele dia, nunca mais soube o que é depressão.
A vida diária no sobrenatural
Tenho uma foto antiga no meu quarto que olho com frequência. Houve um tempo em que pedia desesperadamente uma chance de nascer de novo, de ter uma nova oportunidade depois de tudo que viveram comigo e de tudo que fiz contra mim mesma. Hoje entendo que essa oportunidade existe, e ela está disponível para quem ainda acredita que acabou.
O diabo conhece a Bíblia melhor que muitos cristãos, mas continua sendo diabo. O segredo não está em conhecer, mas em praticar. Muitas pessoas procuram o espetacular e se esquecem de que o sobrenatural está disponível o tempo todo. Além disso, não dá para esperar viver Deus apenas em eventos, conferências ou cultos especiais. É preciso construir uma vida diária com Ele, praticar a presença de Deus em cada situação, em cada pensamento, em cada decisão.
Por fim, quem te direcionou foi o Senhor. Se você nasceu, é porque há um propósito a ser cumprido. Não importa a família, o passado ou o que disseram sobre você. Quem tem a última palavra sobre a sua vida é Deus.
*Trechos da mensagem do dia 22 de maio de 2026, na Conferência de Adolescentes.

