
Coordenadora do Departamento Infantil da Igreja Sede
Acolhimento é a atitude de receber, ouvir, compreender e valorizar uma pessoa com respeito, empatia e atenção, reconhecendo suas necessidades, sentimentos e singularidade. Esse conceito já traz, por si só, uma dimensão ampla de cuidado. Contudo, a igreja não pode parar apenas no acolhimento, especialmente quando se trata de crianças atípicas. Muitas vezes o acolhimento se resume a tratar bem a criança na recepção e trazê-la para perto, o que representa apenas parte do que verdadeiramente é necessário.
O que significa incluir
Incluir é fazer com que cada pessoa se sinta pertencente, valorizada e capaz de participar de maneira significativa nos diferentes ambientes em que vive. A inclusão vai além do acolhimento porque leva a pessoa a um lugar de pertencimento e à possibilidade real de participação. Receber uma criança atípica dentro de uma sala do Departamento Infantil não significa, por si só, que um trabalho de inclusão está sendo feito. Se a equipe não oferece oportunidades para que essa criança participe como as demais, ainda precisa aprimorar o serviço. Isso não exige que todos se tornem especialistas, mas exige conhecimento e disposição para buscar melhorar continuamente a prática.
Estratégias de participação
As salas de Departamento Infantil geralmente seguem um roteiro com etapas como louvor, dízimos e ofertas, atividades recreativas, ministração da Palavra e tarefas. Quando a criança é apenas colocada no ambiente sem que haja um esforço para incluí-la ativamente nessas etapas, existe uma grande possibilidade de que crianças atípicas não participem plenamente desses momentos. Por isso, é importante que haja alguém disposto a estimular e auxiliar essa participação, sem forçar. Pequenos progressos, como levantar as mãos durante o louvor ou cantar uma palavra de uma música, já representam avanços significativos. O objetivo não é fazer a criança atípica reagir exatamente como as demais, mas promover sua participação de forma genuína.
É importante lembrar que a capacidade de recepção da criança não se limita ao que é observável externamente. Mesmo quando parece que uma criança não está prestando atenção, ela pode estar absorvendo o conteúdo de maneiras que só se manifestam depois, em casa ou em outros contextos. A unção de Deus alcança dimensões que vão além do cognitivo e das habilidades naturais, e um diagnóstico não determina os limites do que uma criança pode compreender ou viver espiritualmente.
A participação da criança nessas etapas do culto deve acontecer de forma fluida, ou seja, flexível, dinâmica e capaz de se adaptar às mudanças, nunca de maneira forçada. Isso significa promover oportunidades repetidas vezes, mesmo que nem sempre haja êxito imediato.
O uso consciente de reforçadores
Reforçadores são estratégias legítimas para auxiliar a criança, mas não devem ser utilizados durante toda a atividade a ponto de desconectá-la totalmente do ambiente. A comunicação com a família é fundamental nesse processo, para que a sala do Departamento Infantil não interfira negativamente em processos terapêuticos já em andamento. Ao permitir o uso de reforçadores, é importante ter cuidado quanto ao tipo de item oferecido, delimitar o tempo de uso com o auxílio de um temporizador e fazer combinados claros com a criança, evitando que ela permaneça isolada com o item durante todo o tempo, sem intervenção ou direcionamento.
Entre as boas práticas relacionadas ao uso de recursos de apoio estão: oferecer o item somente diante de uma necessidade real, permitir a escolha de um único item por vez, delimitar o tempo de uso, não deixar os recursos expostos de forma que a criança tenha acesso a todos ao mesmo tempo e mediar o uso para evitar danos aos materiais, sem que isso se torne motivo de desespero caso algo seja danificado. O cuidado com os recursos também é parte do bom despenseiro da obra de Deus.
Uma multidão alimentada pelo improvável
A multiplicação dos pães e dos peixes é um exemplo de como uma multidão foi alimentada a partir daquilo que parecia improvável. Da mesma forma, crianças atípicas não devem ser vistas com olhos de improbabilidade, pois muitas vezes carregam muito a oferecer, capaz de despertar e transformar aqueles que as acompanham. Acreditar nesse potencial é reconhecer que, assim como no milagre bíblico, também há multiplicação possível ali onde parece haver escassez.
*Trechos da mensagem do dia 27 de junho de 2026, na Conferência Privilégio.

