
Presidente da Sede Verbo da Vida
Iniciamos um tema importante: o mistério revelado à Igreja. Esse mistério envolve verdades essenciais relacionadas à primeira e à segunda vinda de Jesus. É sempre tempo de lembrar o propósito da vinda de Cristo, o plano de redenção e tudo o que Deus estabeleceu desde o princípio.
Em Gênesis vemos o início de todas as coisas: Deus cria o homem, o homem peca e é expulso do jardim. A maldade se multiplica, o dilúvio reinicia a humanidade por meio de Noé e seus descendentes. Em seguida surge a Torre de Babel, quando a humanidade decide desobedecer a Deus para engrandecer o próprio nome. Deus confunde as línguas e dispersa as pessoas. Desde o início, a humanidade caminhava em rebeldia, e Deus decide iniciar um plano diferente. Ele chama Abrão e promete abençoá-lo, engrandecer seu nome e, por meio da sua descendência, alcançar todas as nações. Essa promessa se cumpre em Jesus.
Jesus é apresentado em Mateus 1.1 como descendente de Abraão e de Davi. A Abraão foi prometido que sua descendência abençoaria todas as famílias da terra. A Davi, Deus prometeu um descendente que reinaria. Essas duas promessas convergem em Cristo. Quando Adão peca, entrega o domínio da terra ao diabo, e Jesus vem restaurar tanto a comunhão perdida quanto a autoridade roubada. Ele é o descendente que traria salvação ao homem e, ao mesmo tempo, o Rei que retomaria o trono prometido a Davi.
O mistério revelado à Igreja
O anjo declara a Maria que Deus lhe daria o trono de Davi e que seu reinado não teria fim. Assim, desde o chamado de Abraão, Deus inicia um plano que alcançaria todas as nações, começando por Israel. Jesus veio inicialmente para os judeus, conforme Ele mesmo declarou. Israel deveria se tornar o povo que levaria a mensagem ao mundo, mas rejeitou o Messias. João resume isso dizendo que Ele veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam. A partir dessa rejeição, Deus inclui os gentios, que estavam alheios às alianças, e os faz parte do Seu plano por meio de Cristo.
Dessa forma, inicia-se algo que no Velho Testamento não podia ser plenamente revelado: a Igreja. Esse é o mistério. Deus não podia revelar completamente como o plano se desenrolaria, pois isso interferiria na responsabilidade humana e na forma como Israel responderia ao Messias. Por isso, embora houvesse muitas profecias sobre a vinda de Cristo, muitas coisas permaneceram ocultas. Pedro afirma que os profetas investigavam para entender o que estavam dizendo, pois sabiam que falavam de algo preparado não para eles, mas para uma geração futura.
Jesus, em Mateus 13, começa a falar de parábolas para revelar os mistérios do Reino aos discípulos, não às multidões. Mateus afirma que Ele estava revelando coisas ocultas desde a fundação do mundo. Esses mistérios estavam ocultos até então.
A espera do Rei conquistador
Em Isaías 9 lemos que um menino nasceria e reinaria sobre o trono de Davi. Na mesma profecia há dois momentos distintos: o nascimento do Filho e Seu reinado futuro. A primeira vinda já se cumpriu. A segunda ainda ocorrerá. Esse intervalo é como duas montanhas vistas de frente: parecem uma só, mas vistas de outro ângulo percebemos que existe um vale entre elas. Assim eram as profecias do Velho Testamento. Os profetas enxergavam os acontecimentos, mas não distinguiam o intervalo no qual vivemos hoje.
Muitos judeus rejeitaram Jesus porque esperavam principalmente o Rei conquistador, não o Servo sofredor. Essa rejeição abriu espaço para que Deus revelasse o mistério: a inclusão dos gentios e a formação da Igreja. Paulo explica isso em Romanos 16, afirmando que o mistério esteve oculto desde os tempos eternos, mas agora foi revelado. Em I Coríntios 2, Paulo afirma que essa sabedoria estava oculta e nenhum dos poderosos a conheceu, pois, se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória. Isaías declara que havia coisas que Deus não revelou aos profetas.
A família de Deus
Mas Paulo diz que Deus revelou essas verdades pelo Espírito. O mistério não revelado aos profetas é agora revelado à Igreja. Em Efésios 3, ele afirma que, por revelação, lhe foi dado conhecer o mistério que outras gerações não conheceram. O mistério é que os gentios são coerdeiros, membros do mesmo corpo e coparticipantes das promessas em Cristo. Em Cristo, Deus cria uma nova humanidade. Na nova aliança, não há mais judeu ou gentio, mas um único povo. A Igreja é a família de Deus.
Esse mistério esteve oculto desde os séculos e gerações, mas agora é Cristo em nós, a esperança da glória. Os profetas viram a primeira vinda e a glória futura, mas não entenderam o período intermediário. Paulo diz que as aflições do tempo presente não se comparam com a glória que será revelada em nós. A segunda vinda é certa, assim como a primeira se cumpriu. Vivemos hoje no vale entre as duas montanhas, aguardando a manifestação da glória futura. Jesus está voltando. Precisamos entender o que significa ser Igreja e viver de acordo com o propósito que Deus estabeleceu desde antes da criação.
A esperança nos aguarda
O mistério agora foi revelado. Deixou de ser mistério. Cristo vive em nós. A esperança da glória nos aguarda. Não podemos perder a perspectiva da eternidade. As profecias da primeira vinda se cumpriram. As da segunda também se cumprirão. É tempo de levantar a cabeça, viver com convicção e manter o coração firme na fé.
Deus deseja que compreendamos Sua Palavra, Seus planos e nosso papel neste tempo. Ele nos instrui por meio da Palavra e do Espírito, para vivermos como filhos de Deus, usufruindo do que Cristo conquistou e cumprindo nossa responsabilidade como esse povo que Ele mesmo formou para participar da Sua glória eterna.
*Trechos da mensagem do dia 30 de novembro de 2025, no Culto de Celebração.

