
Integrante da diretoria do Ministério Verbo da Vida
Que bom sabermos que Deus não nos deixou sós. Mesmo com a insistência do homem em desobedecer a Deus, Ele sempre se mantém perto de nós. A Bíblia nos ensina, em Hebreus, que desde o princípio Deus falou conosco. Sem dúvida, a Bíblia é um guia seguro que pode nos conduzir através das eras. Deus não nos deixou sozinhos. A Palavra de Deus nos inspira, nos guia e nos instrui. A Bíblia é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho.
Cabe a nós recorrermos à Palavra. O que adianta ter uma lanterna potente se não recorremos a ela? De que adianta ter a lâmpada, mas não ligar o interruptor? Estamos estudando sobre o mistério revelado à Igreja.
“Temos, assim, ainda mais firme a palavra dos profetas, à qual fazeis bem em estar atentos, como a uma luz que brilha em lugar escuro, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração, sabendo primeiramente que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação particular, porque nunca a profecia teve origem na vontade humana, mas homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (II Pedro 1.19-21).
Esse texto nos instrui a respeito de como lidamos com a profecia bíblica. A profecia não se resume apenas a uma palavra liberada por uma pessoa, pois a Bíblia está repleta de profecias.
Guiados em uma caminhada segura
A Bíblia nos ensina que as profecias que estão registradas não nasceram da vontade dos homens, mas de uma inspiração da parte de Deus.
Buscar compreender o que a Bíblia nos ensina por meio das profecias vai nos guiar em uma caminhada segura. A profecia não é de iniciativa do ser humano, mas inspirada pelo próprio Deus, para que tivéssemos acesso a informações seguras.
Profecias são “furos” de reportagem, trazendo informações antecipadas de coisas que ainda vão acontecer. Isso é uma grande segurança para nós, pois não seremos pegos de surpresa.
A Palavra de Deus tem para nós riquezas de instruções, e, se nos atentarmos a ela, chegaremos ao lugar certo e entenderemos o que Deus deseja fazer nesses últimos tempos.
Aproximadamente um terço das Escrituras bíblicas é composto por profecias e, dessas profecias, cerca da metade já se cumpriu, o que significa que ainda existe uma metade pendente de cumprimento. Se atentarmos ao que Deus está querendo nos dizer, ficaremos prontos para viver os próximos dias e anos.
Deus está fora do tempo
Por vezes, ficamos acreditando que não é do interesse de Deus que tenhamos acesso aos acontecimentos do fim dos tempos, mas será que Deus investiria tantas revelações e profecias em algo que Ele não deseja que saibamos?
É verdade que, algumas vezes, as profecias bíblicas parecem um pouco confusas para nós, mas quero resgatar uma chave importante: muitas vezes, os profetas enxergavam alguns eventos e acontecimentos, mas viam isso de forma limitada. Foi somente na vinda de Jesus que tudo foi revelado de forma plena.
Vamos compreender um pouco melhor a questão do tempo nas Escrituras e também como lidamos com isso em relação às profecias bíblicas.
Deus está fora do tempo, mas Ele estabeleceu tempos de acordo com a Sua vontade. O primeiro desses acontecimentos que Deus fixou foi a criação. Outro evento marcante foi o dilúvio. Na sequência, outro evento marcante foi a chegada de Cristo à Terra, o Filho de Deus, o Verbo que se fez carne e habitou entre nós.
Redimidos e reconectados a Deus
Você já pensou o que seria da sua vida se Cristo não tivesse vindo? Dentro de alguns dias, estaremos celebrando o Natal, a chegada de Jesus à Terra. Por causa da vinda de Jesus, fomos redimidos e reconectados a Deus. Jesus morreu, ressuscitou e foi aos céus novamente. Ele veio, morreu, ressuscitou e foi aos céus, mas voltará para nos buscar.
Precisamos entender que não houve apenas uma primeira vinda. Jesus voltará novamente, Ele reinará sobre a Terra e nós reinaremos com Ele.
A Bíblia relata que Jesus voltará em um cavalo branco, acompanhado de um exército que reinará com Ele. Voltaremos com Ele, porque um dia sairemos desta Terra. O retorno de Jesus iniciará um tempo curto aqui na Terra. Esses eventos que venho citando estão atrelados a personagens bíblicos que Deus levantou para tratar questões específicas.
Eras distintas
Cada momento da história bíblica teve uma duração determinada:
De Adão a Abraão foram dois mil anos; de Abraão até a primeira vinda de Cristo, também dois mil anos; da primeira até a segunda vinda de Cristo, mais dois mil anos; e da segunda até o final do reino milenar, mil anos.
Para cada era, Deus lidava com um grupo específico: gentios, judeus, Igreja e homens. Dentro de tudo o que já expusemos aqui, quero tratar de uma profecia específica que está registrada no livro de Daniel: as setenta semanas de Daniel.
“No primeiro ano do reinado de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, constituído rei sobre o reino dos caldeus, Daniel atentou para os escritos e compreendeu, pelas Escrituras, o número de anos determinados pelo Senhor para que se cumprisse a desolação de Jerusalém, conforme havia sido anunciado pelo profeta Jeremias; então voltou o rosto ao Senhor Deus, buscando-o em oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza” (Daniel 9.1-3).
Contextualizando um pouco o momento em que Daniel viveu, ele era um judeu que estava cativo na Babilônia. Ele entendeu que deveria se manter fiel àquilo que Deus havia dito e não se contaminar com o que aquele ambiente tinha a lhe oferecer.
Daniel já estava ativo há um tempo, mas não sabia quanto tempo ainda ficaria ali. No primeiro ano de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus, no primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi, pelos livros, que o número de anos de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, que haviam de durar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos.
Precisamos meditar nas profecias
Daniel começou a entender que deveria se colocar diante de Deus em oração a favor do seu povo. Esse entendimento chegou a partir do momento em que ele meditava nas profecias. Precisamos meditar nas profecias daqueles que vieram antes de nós para entendermos o momento em que estamos vivendo no tempo.
No versículo 24, do capítulo 9 de Daniel, o anjo Gabriel traz a profecia que conhecemos como a profecia das setenta semanas. Daniel estava meditando na Palavra quando recebeu essa revelação. Perceba que, inicialmente, a profecia das setenta semanas não é para nós, Igreja, mas para o povo de Israel.
Vamos compreender, então, por que precisamos conhecer essa profecia.
As setenta semanas tinham a seguinte finalidade:
- Acabar com a transgressão
- Dar fim aos pecados
- Expiar a iniquidade
- Trazer a justiça eterna
- Selar a visão e a profecia
- Ungir o Santo dos Santos
Deus se importa com as profecias
O Senhor guardou em mistério a presença da Igreja para que o povo de Israel tivesse a oportunidade de acolher ou não o Messias. Deus quis apresentar uma escolha genuína ao povo de Israel. Ele já sabia que eles negariam o Messias, mas já tinha um plano. Daniel recebeu essa revelação, mas não tinha discernimento de que os eventos aconteceriam em diferentes períodos da história.
Sobre as setenta semanas, vemos que a Bíblia as fragmenta em diferentes períodos. A Bíblia divide as setenta semanas em um período inicial de sete semanas, depois um período de sessenta e duas semanas, restando, então, uma semana.
Sabemos hoje que Jerusalém foi reconstruída e vemos nos livros de Esdras e Neemias quando foi dado o decreto para essa reconstrução. Temos, então, o entendimento de que essas primeiras sete semanas foram iniciadas em 458 a.C., com a reconstrução de Jerusalém. A Bíblia está cheia de informações preciosas, mas temos a tendência de nos ater aos textos que mais nos agradam. Deus se importa com as profecias e, por isso, também devemos nos importar com elas.
Deus também aponta a Daniel o momento em que o Ungido viria, o que está registrado em Lucas 3:1-3. Seguindo a sequência já apresentada das sete semanas, vamos pensar nos acontecimentos da última semana, que começou com o ministério terreno de Jesus.
A Estrela da Manhã brilhará sobre nós
Essa semana final, em razão da rejeição do povo de Israel ao Messias, sofreu uma mudança em relação ao que estava inicialmente planejado.
Vemos ainda que a profecia aponta muitas questões que envolvem a nação de Israel. A Bíblia diz que a semana que falta será iniciada com uma aliança de sete anos com o Anticristo. Na metade da semana, haverá a quebra dessa aliança, e, no final, a derrota do Anticristo.
Essa semana diz respeito exclusivamente à nação de Israel. Antes que esse tempo de grande tribulação se estabeleça sobre a Terra, Jesus voltará para nos buscar, e estaremos celebrando as bodas do Cordeiro. Depois, voltaremos para reinar com Jesus sobre a Terra.
Quero finalizar retornando a I Pedro 1.17. Haverá um dia em que a Estrela da Manhã brilhará sobre nós. Até que esse dia chegue, precisamos seguir aquilo que a Bíblia diz e prestar muita atenção às palavras ditas pelos profetas.
Deus se importa com o nosso futuro e já nos deu um mapa. Só precisamos ficar atentos àquilo que a Palavra nos diz.
*Trechos da mensagem do dia 14 de dezembro de 2025, no Culto de Celebração.

