
Integrante da equipe ministerial da Igreja Sede
Talvez essa frase te choque, mas Deus não poderia simplesmente salvar o mundo apenas porque é amor. Ele precisou agir de forma legal para nos salvar. Nenhum juiz de vara criminal poderia livrar um parente seu, ou alguém que ama, de um castigo justo apenas por ser juiz. Da mesma forma, Deus precisou estabelecer um meio legal para nos salvar. Ele não poderia ter feito isso se não tivesse agido em conformidade com a justiça.
Deus teve que lidar primeiramente com a consciência humana. Quando Adão e Eva pecaram, a Bíblia mostra que eles se esconderam, porque um peso veio sobre a consciência deles. Assim também acontece hoje: muitas pessoas se escondem nas coisas naturais para não se aproximarem de Deus, por causa da consciência que as acusa. Esse problema não é recente. Em Jó 4.12-20, e o livro de Jó é um dos primeiros escritos da humanidade, vemos que um espírito que traz medo (e se traz medo não vem de Deus) fala ao amigo de Jó, que vamos chamar de “pastor Elifaz”, dizendo que o homem não pode se aproximar de Deus.
Se algo tenta lançar dúvida sobre Deus e sobre Sua Palavra, trazendo peso à sua consciência, rejeite. Isso acontece desde a antiguidade. E você acha que Jó não acreditava nisso? Jó não fazia parte da “igreja” de Elifaz? Em Jó 9.1-4 vemos Jó concordando com ele. Não quero ler todo o livro, senão você vai chorar hoje, mas em Jó 26:1-6 o “pastor auxiliar” Bildade, outro amigo de Jó, afirma que somos apenas verme e pó. Irmão, você não é pó: você é justiça de Deus, é nova criatura em Cristo. Isso faz de você muito mais do que um “tapuru”.
Consciência de justiça
Ainda hoje muitos crentes têm consciência de pecado, consciência de injustiça. Romanos 1.17 afirma que o evangelho é poder de Deus para a salvação, e o evangelho aponta para o sacrifício, para a justificação. Somente pela fé é possível ser salvo. Ninguém alcança a salvação chorando, mas crendo e confessando Jesus com a boca. Ele veio e nos resgatou. Agora, justificados, podemos estar diante de Deus não apenas como religiosos com uma reverência falsa, mas como filhos que se aproximam d’Ele e O chamam de Pai. A religiosidade exige que estejamos vestidos de justiça própria para que Deus se aproxime. Mas a justiça própria é perigosa, porque ignora a justiça de Deus.
Romanos 3.23 diz que todos pecaram, mas não se esqueça do versículo seguinte: todos já estivemos destituídos da glória de Deus, mas no verso 24 está escrito que fomos justificados gratuitamente. Essa consciência de justiça gera ousadia. O diabo pode tentar acusar você por coisas que fez, mas a consciência de justiça o leva a pedir perdão e reassumir sua posição de justo.
Jesus, no tanque de Betesda, perguntou ao paralítico se ele queria ser curado. O homem começou a contar sua história, mas Jesus apenas o mandou levantar e sair dali. Betesda significa “casa de misericórdia”. Há crentes vivendo apenas de misericórdia. O paralítico se levantou porque o texto diz que ele se viu curado. Veja-se como Deus o vê. Ele não é seu inimigo, Deus é seu amigo.
O dom é um presente
Leia todo o livro de Romanos depois, mas agora quero destacar o capítulo 26.12-21. O fim da lei é Cristo. A lei do pecado e da morte não tem mais efeito sobre os filhos de Deus. Para o mundo, ela ainda significa morte, mas para os que se banharam nas águas da graça, a lei em vigor é a da vida. Muitos se esquecem de que a solução para o pecado já veio, a salvação já foi manifestada. O dom é um presente gratuito. Um único pecado trouxe todas aquelas consequências, mas o dom da graça e da justiça é muito mais abundante do que tudo o que o diabo fez. Há quem acredite mais na maldição hereditária do que na promessa de que em Abraão seriam benditas todas as famílias da terra.
Saia da casa da misericórdia, saia do lugar das desculpas. Saia de Betesda, esse não é mais o seu lugar. O problema da condenação já foi resolvido. O Espírito Santo fala à sua consciência recriada sobre sua posição em Cristo. I Timóteo 1.10 nos alerta a mantermos a boa consciência, para que não naufraguemos na fé.
*Trechos da mensagem do dia 24 de agosto de 2025, na Escola Dominical.

