
Lideres da Verbo da Vida de Campo Grande, no Rio de Janeiro (RJ)
Quero que você abra o seu coração para compreender a importância da mesa em nossa casa e em nossa vida. A mesa é um princípio de Deus. Ele nos criou à Sua imagem e semelhança.
“Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim. E chamou o Senhor Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás?” (Gênesis 3:8).
Aqui entendemos que havia um horário para termos relacionamento com Deus. E, por causa da desobediência do homem, houve uma separação, o que chamamos de morte espiritual.
Em Êxodo 25, Deus inicia um processo de restauração, um caminho para recuperar a intimidade perdida com Seu povo. Nesse processo, Ele escolhe habitar entre nós, colocando Sua presença no meio do acampamento, dentro da Arca da Aliança.
Mas, antes da Arca, Ele ordena a construção de uma mesa. E não é uma mesa qualquer, é uma mesa adornada, feita com propósito e santidade. A importância da mesa não começa em nós; começa em Deus.
Ela é um símbolo do Seu desejo de comunhão. Deus está nos chamando de volta à intimidade, ao relacionamento, à presença. Em Êxodo 25, vemos que tudo começa com Ele. É Ele quem toma a iniciativa. É Ele quem prepara o caminho. A mesa é d’Ele, e nós somos os convidados. Deus já deixava sinais de que, um dia, viria tão perto, tão próximo, que habitaria dentro de nós.
A mesa, nesse contexto, carrega um princípio espiritual profundo: é símbolo de comunhão, provisão e presença. Sobre ela, o pão da proposição representava Jesus, o verdadeiro Pão da Vida, que haveria de vir.
Mesa é lugar de provisão
Quando compreendo o princípio da mesa, entendo que nela não há falta. Onde há aliança e presença, há provisão. A mesa que Deus estabelece se torna também a provisão em nossa casa, não apenas física, mas espiritual, emocional, completa. Quando caminho no propósito espiritual que Deus designou, a bênção me acompanha. Onde há mesa com propósito, há presença. E onde há presença, há abundância.
Mesa é lugar de aprendizado
A mesa é um lugar de encontro, de sentar-se à volta. Ela nos reúne, frente a frente. Ao redor da mesa, não há distância: há conexão, olho no olho, coração aberto.
Foi à mesa que Jesus ensinou verdades eternas, compartilhou princípios do Reino e formou discípulos.
Lucas 22:14 nos mostra Jesus sentado com os discípulos na Última Ceia. Não para dominar, mas para servir. No Reino de Deus, a maior posição não é a de quem exerce poder, mas a de quem escolhe servir. Lucas 22:30 fala sobre sentar-se à mesa com Ele no Reino.
Muitas vezes, pensamos que não podemos preparar uma mesa porque achamos que nos faltam os elementos ideais: os talheres certos, o guardanapo bonito, a comida perfeita. Mas não é isso que o Senhor procura. Ele não olha para os detalhes externos, mas para o coração que convida, para a disposição de obedecer, amar e servir. Faça o seu melhor com o que você tem. Honre o princípio da mesa com fidelidade. Porque, quando andamos segundo os princípios do Reino, Deus derrama bênçãos sobre nossa casa. Seja fiel no pouco, e Deus o honrará com muito.
Mesa é lugar de construção (formação do caráter)
“Tua esposa será como videira frutífera no interior da tua casa; teus filhos como brotos de oliveira ao redor da tua mesa” (Salmos 128:3).
A mesa é também um lugar de construção, um espaço onde o caráter é formado, especialmente dentro do ambiente familiar. O salmista declara: “Teus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da tua mesa.” A oliveira é uma árvore conhecida por suas raízes profundas e pela resistência. É difícil de ser arrancada, pois está firmemente enraizada. Assim devem ser nossos filhos: firmes, enraizados, inabaláveis. E essa firmeza começa a ser forjada à mesa. É ao redor da mesa que ensinamos valores. É ali que eles estão desarmados, abertos, e podemos dialogar sobre a vida, os sentimentos, os sonhos, os desafios da escola e os planos para o futuro. A mesa é o ambiente onde instruímos com amor, corrigimos com graça e ouvimos com atenção. É onde formamos caráter, cultivamos relacionamentos saudáveis e plantamos sementes que frutificarão por toda a vida.
Mesa é lugar de reconciliação
Há dias em que, emocionalmente, não queremos sequer olhar para o cônjuge ou algum familiar. Mas a mesa nos obriga a encarar, a olhar nos olhos, a perceber o semblante, a notar o que está errado. Ela nos convida a resolver o que precisa ser resolvido. Um filho adolescente, por exemplo, pode não dizer tudo com palavras, mas a mesa revela. O silêncio, o olhar; tudo fala. E, nesse espaço, somos levados a confrontar com amor, a entender, corrigir e reconciliar.
“Não retires a disciplina da criança; se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá. Pelo contrário, a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno” (Provérbios 23:13-14).
Isso não trata de confronto violento. A vara e o cajado não são instrumentos de punição, mas de cuidado. A vara representa limites, ela direciona a ovelha e a protege dos perigos. O cajado representa amor e correção com graça, ele traz a ovelha de volta ao caminho com cuidado.
“Preparas uma mesa na presença dos meus inimigos; unges a minha cabeça com óleo, e o meu cálice transborda” (Salmos 23:5).
Deus não te coloca à mesa na presença dos teus inimigos para te exaltar sobre eles, Ele te coloca ali para curar, restaurar e reconciliar. Nosso primeiro chamado como filhos de Deus é reconciliar o mundo com Ele, e isso começa por reconciliar-nos uns com os outros. A mesa nos leva a sentar em lugares que antes evitávamos. Na mesa, aprendemos a nos colocar no lugar do outro. Na mesa, entendemos que ninguém deve ser tratado de qualquer jeito, porque a graça que nos alcançou exige responsabilidade, perdão e comunhão. E, por fim, o texto nos lembra: “O Senhor é o meu Pastor…”, mas há uma parte que cabe a nós.
Mesa é lugar de restituição (lugar de igualdade e pertencimento)
“Então o rei Davi mandou buscá-lo na casa de Maquir, filho de Amiel, em Lo-Debar” (II Samuel 9:5).
A mesa também é um lugar de restituição, de restauração da identidade, dignidade e pertencimento. Quando Davi mandou chamar Mefibosete, filho de Jônatas, ele estava em Lo-Debar, uma terra sem pasto, um lugar esquecido. Apesar de viver em uma casa onde não havia falta material, Mefibosete carregava uma dor profunda: via-se como um “cão morto”, alguém sem valor, marcado pela rejeição e pelo passado. Mas Davi, como figura de Cristo, restaura sua identidade. Ele o convida a comer todos os dias à mesa do rei, um lugar reservado a filhos, não a servos.
Mefibosete não apenas foi restaurado, ele foi restituído. Assim como em nossas casas, às vezes nossos filhos têm sua identidade ameaçada pelas vozes externas, pela cultura, pelos traumas, pelas mentiras que o inimigo tenta plantar. Mas é à mesa, em um ambiente de aliança e presença, que reafirmamos quem eles são. Na mesa da nossa casa, dizemos: “Você é meu filho amado. Você pertence. Você tem um lugar aqui.” E, quando ele sair, e o mundo tentar seduzi-lo, confundi-lo ou rotulá-lo, ele se lembrará do que ouviu à mesa. Ele saberá quem é, porque a identidade construída em casa, no ambiente da mesa, tem poder para sustentá-lo no mundo.
*Trechos da mensagem do dia 24 de maio de 2025, na Conferência da Família.

