
Integrante da equipe ministerial da Igreja Sede
Criar filhos em um mundo cada vez mais desafiador exige intencionalidade e fundamento sólido. Embora o cenário ao redor pareça instável, permanece a esperança em Cristo. A criação de filhos é uma tarefa singular, pois cada criança possui personalidade, temperamento e características próprias. Mesmo filhos que crescem na mesma casa, com os mesmos pais, desenvolvem-se de maneiras distintas. Além das diferenças individuais, cada pai e cada mãe carregam sua própria história, a forma como foram criados, as referências que tiveram e até mesmo os traumas que viveram. Tudo isso influencia diretamente a maneira como educam seus filhos.
Independentemente da fase da vida em que a criança se encontra, existem princípios que podem e devem ser aplicados em qualquer idade. Ao longo da história, os modelos de criação oscilaram entre extremos. Houve épocas marcadas por rigidez excessiva, disciplina severa e pouca expressão de afeto. Em gerações ainda anteriores, muitos pais criavam os filhos com foco quase exclusivo na sobrevivência, em contextos de escassez e dificuldades intensas. Faltava tempo para reflexão sobre métodos educativos, pois a prioridade era sustento e preservação da família.
Princípios que atravessam gerações
Como reação a esse passado, surgiu um movimento em direção a uma educação amplamente permissiva. A disciplina foi substituída por concessões frequentes, e responsabilidades passaram a ser relativizadas. No entanto, nem a rigidez extrema nem a permissividade absoluta refletem o equilíbrio necessário. A Palavra de Deus permanece como referência imutável, oferecendo direção segura acima das tendências culturais.
Ademais, mesmo quando as referências familiares são falhas, a Escritura apresenta um padrão restaurador. Os filhos aprendem a viver observando seus pais. Eles nem sempre desejarão cumprir suas responsabilidades diárias, mas cabe aos pais orientá-los e mostrar, com firmeza e amor, o que precisa ser feito.
“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22.6).
O caminho se ensina caminhando
Ensinar envolve caminhar junto. O caminho pressupõe direção, propósito e limites claros. Muitas vezes, os pais desejam carregar os filhos no colo para poupá-los das dificuldades, mas cada criança precisa aprender a trilhar sua própria jornada. Jesus afirmou: “No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (João 16.33). Isso significa que haverá desafios, mas também haverá capacitação para enfrentá-los.
Os pais não podem percorrer o caminho no lugar dos filhos, mas podem orientá-los, apoiá-los e acompanhá-los. No cotidiano, nas conversas, nas refeições em família e nos momentos simples do dia, formam-se valores e princípios. Estabelecer tempo de qualidade, promover diálogo e cultivar comunhão são atitudes que fortalecem o caráter da criança. Mesmo em rotinas intensas, é possível agir com intencionalidade, conversar durante o trajeto, ouvir com atenção, orar juntos e confessar a Palavra.
Limites que protegem e formam caráter
Além disso, limites são indispensáveis. Eles não representam falta de amor, mas segurança. A ausência de limites expõe a criança à insegurança e à imaturidade emocional. Ensinar limites é preparar os filhos para um mundo onde enfrentarão desafios reais. Hebreus 12.6 afirma que Deus corrige a quem ama, demonstrando que disciplina é expressão de cuidado. Corrigir é orientar, proteger e formar caráter.
Os filhos precisam saber que são amados e acompanhados, mas também que devem desenvolver força e coragem. A verdadeira formação combina presença, exemplo, limites e amor constante. Dessa forma, a educação deixa de ser apenas uma resposta às circunstâncias culturais e passa a refletir princípios eternos, capazes de sustentar a vida em qualquer tempo.
*Trechos da mensagem do dia 25 de fevereiro de 2026, na Escola de Pais.

