
Vice-presidente da Verbo da Vida Sede
Mesmo que alguém não tenha filhos biológicos ou já tenha passado por essa fase da vida, continua ocupando um lugar de influência. A Escritura fala sobre filhos espirituais e sobre a responsabilidade de edificar outras pessoas. Somos edificados para também edificar.
O excesso de firmeza pode endurecer, mas o excesso de amor sem correção pode gerar ausência de limites. Privar um filho de instrução, correção e direção pode produzir amargura no futuro, porque aquilo que deveria ter sido ensinado na imaturidade foi negligenciado.
Influência que atravessa gerações
Ao refletir sobre a formação de filhos em tempos difíceis, é impossível ignorar os contextos bíblicos marcados por confusão espiritual. A palavra Babilônia remete a Babel, símbolo de desordem e rebelião contra Deus. Na narrativa da Torre de Babel, a unidade humana foi usada para um propósito equivocado, e Deus interveio para dispersar aquela construção. Foi nesse cenário que Abraão foi chamado a viver em aliança com o Senhor e a ordenar seus filhos para que permanecessem nos caminhos de Deus.
Cada geração é chamada a viver em aliança, mesmo quando o ambiente ao redor é confuso. O mundo pode ser marcado por instabilidade moral e espiritual, mas a responsabilidade de formar novas gerações permanece.
Daniel: firmeza em meio à confusão
Ademais, a vida de Daniel ilustra esse princípio. Mesmo inserido na Babilônia, um ambiente de forte influência cultural e espiritual contrária à sua fé, ele decidiu não se contaminar. Isso revela que princípios foram plantados profundamente em seu coração antes que enfrentasse aquele contexto. É impossível não considerar a influência formadora de seus pais e, especialmente, de sua mãe, que provavelmente lhe transmitiram convicções sólidas.
Daniel não se comportou como uma esponja que absorve tudo ao redor, mas como um diamante, firme e inabalável. Esse é o poder da formação baseada em princípios. A influência de pais, familiares e líderes espirituais não está apenas nas palavras, mas no convívio, no exemplo e na constância.
Vivemos tempos em que a influência é amplamente discutida. Contudo, a verdadeira influência conduz pessoas ao caminho do Senhor por meio do relacionamento, do cuidado e da coerência entre discurso e prática. Quando princípios são plantados de forma consistente, tornam-se sustentação nos dias difíceis.
Princípios inegociáveis em tempos de pressão
Ao observar diferentes períodos bíblicos, desde Babel até a Babilônia descrita em Apocalipse, percebe-se um padrão de confusão crescente. A pressão cultural se intensifica, e muitos sentem dificuldade em permanecer firmes. Por isso, é essencial plantar verdades que sustentem as próximas gerações, capacitando-as a dizer não quando necessário.
Além disso, a diferença entre aqueles que permanecem firmes e aqueles que cedem à pressão está no que foi construído internamente. Um diamante precisa ser lapidado, e o confronto faz parte desse processo. Deus concede aos pais a responsabilidade de moldar caráter, formar identidade e apontar destino. Essa construção acontece no cotidiano, no alinhamento entre pai e mãe, na clareza dos limites e no amor que acompanha tanto o “sim” quanto o “não”.
Formando vidas para permanecer firmes
As famílias mudaram ao longo das décadas, mas a necessidade de ensinar valores permanece. É em casa que se aprende a amar, a respeitar limites e a desenvolver discernimento. Se essa base não for estabelecida no ambiente familiar, a pressão externa encontrará terreno vulnerável.
Mesmo quem não possui filhos biológicos continua tendo responsabilidade de influência. É possível impactar vidas por meio do testemunho, da santificação e do exemplo coerente. Todos podem ser referência para alguém.
Por fim, criar filhos é uma jornada desafiadora e singular. Cada criança demanda sensibilidade, linguagem adequada e ternura específica. Que haja sabedoria para firmar vidas na Palavra de Deus, formando pessoas capazes de permanecer inabaláveis em qualquer tempo.
*Trechos da mensagem do dia 25 de fevereiro de 2026, na Escola de Pais.

