
Integrantes do Departamento da Família da Igreja Sede
Estava meditando sobre o casamento da minha mãe. Ela não recebeu honra dentro do casamento, mas honrou o meu pai. Ele era alcoólatra e, muitas vezes, quando estava bêbado, gritava e agredia a minha mãe. Nós, os filhos, ficávamos temerosos. Nossa casa não tinha paz, era um caos, e nos refugiávamos muitas vezes na casa da avó materna.
Lembro que as roupas do meu pai eram impecáveis, todas muito bem passadas. Ele sempre andava alinhado, era oficial de justiça. E andava assim porque minha mãe cuidava bem dele: suas roupas estavam sempre muito bem cuidadas.
Um dia, ela estava determinada a deixar o meu pai. Uma pessoa a encontrou no ponto de ônibus e lhe entregou uma ficha de culto de casais. Ela orou, pegou aquela ficha e pediu à minha irmã mais velha que a entregasse ao meu pai para que ele assinasse, confirmando que iria. Seria a última chance que ela daria. Naquele dia, ele foi, ainda que bêbado, e o que o marcou foi ver um juiz ali, servindo a eles. Ele pensou: “Como pode um juiz estar me servindo?” Faleceu de um infarto quinze dias depois, e soubemos, pelos enfermeiros que o acompanhavam, que ele se arrependeu e pediu perdão.
Conto isso para que você veja que a honra não tem a ver com a outra pessoa, mas com o nosso coração. A honra sempre traz recompensa. Minha mãe está vivendo hoje um tempo de honra, e o fato de estarmos no evangelho é uma honra para ela, porque todos os seus filhos estão vivendo para o Senhor.
A tendência de repetir o que vemos
A tendência é que repliquemos o que vemos. No meu casamento, comecei a replicar um comportamento de dar ordens ao meu marido, porque, na minha casa, como não tínhamos a presença do nosso pai, minha mãe resolvia tudo. Meu marido conversou comigo sobre esse comportamento, e eu mudei para agradá-lo, mas precisava mudar de coração.
Honra é reconhecer valor
“Não obstante, vós, cada um de per si, amai a vossa própria esposa como a vós mesmos, e a esposa respeite a seu marido” (Efésios 5.33).
O texto fala, nesta versão, em reverenciar o marido. Isso é mais que respeito. Honra é tratar alguém como algo precioso nas suas mãos. Não são apenas palavras: é a forma como você segura, trata e protege aquilo que tem valor. Honra é reconhecer o valor e agir de acordo com ele.
Pensando em uma imagem para representar isso, lembrei-me das taças de cristal de quando eu tinha uma empresa de aluguel de louças, e de todo o cuidado que tínhamos com cada taça.
Honrar é olhar para o meu marido com um olhar de valor. Percebi que não o estava honrando como deveria e me determinei a honrá-lo da melhor forma possível. Eu não gostava de cozinhar e não sabia cozinhar bem, mas me determinei a aprender. A honra também está no tom de voz com que você fala. Comecei a cuidar das vestimentas do meu marido, a dar valor a todos os detalhes, a falar de outro modo.
Decidir dar, antes de esperar receber
Tudo o que eu queria era um marido cavalheiro, e ficava pedindo a ele que mudasse. Mas, muitas vezes, queremos receber e não estamos acostumados a dar. Quando decidi dar, não esperava ações correspondentes do meu marido e ele ficou ainda mais cuidadoso comigo. Muitas vezes estamos esperando do outro no sentido de querer receber, mas precisamos mudar e decidir dar.
Sou designer de interiores, e algo com que trabalhamos muito são as perspectivas. Lembro do significado da palavra perspectiva: uma forma de ver. Quando me aproximei do meu marido para entender a forma como ele via, isso me ajudou a mudar e fez diferença no meu lar.
Honramos nos detalhes, como mencionei: no tom de voz com que falamos. Quando eu era autoritária com meu marido, estava desonrando-o. Costumo dizer que nós somos como uma marca e nossos maridos como atletas. A marca patrocina; o atleta veste a camisa com a marca que o patrocina. Aonde o atleta vai, ele leva a imagem da marca que o patrocina. Isso acontece no casamento: o homem leva a imagem da sua esposa.
A parceria que Deus constrói
Da mesma forma que ela teve essa percepção, alinhou as expectativas e os comportamentos. E eu comecei a patrocinar as ideias dela. Hoje, sou parte da construção do que ela fez na minha vida. Tornei-me um canal de Deus para que ela alcance o propósito d’Ele. Trabalhamos um com o outro nessa parceria pelo que Deus tem para as nossas vidas. A chave virou também na nossa exposição ao ambiente. Lembro que, há muitos anos, participamos de uma conferência de casais em Teresópolis. A experiência de pessoas maduras nos trouxe maior maturidade e nos fez gerar valor na nossa casa e na nossa família.
A responsabilidade do marido
“Maridos, amai vossa esposa, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, não obstante, vós, cada um de per si, amai a vossa própria esposa como a vós mesmos, e a esposa respeite a seu marido” (Efésios 5.25-26).
Amar a nossa esposa como Cristo amou a Igreja: esta é a nossa responsabilidade. Quando o apóstolo Paulo traz essa comparação de Cristo com a Igreja, é para que o homem se posicione como deve. Talvez a sua criação, a sua família, tenha contribuído para o que você é hoje, mas a Palavra está aí para nos ajudar a moldar a nossa vida a partir do que ela diz, começando pela mudança de mentalidade.
A mulher é um presente para o marido. A Palavra nos diz que Deus viu que não era bom que o homem estivesse só. Olhe para a sua mulher como se fosse Deus olhando para ela. Invista nos sonhos dela como se o próprio Deus estivesse fazendo isso. Valorize o presente que Deus lhe deu. Sei que muitas vezes fazemos muitos cálculos, e não estou dizendo para você ser irresponsável, mas precisamos investir tempo juntos.
Da mesma forma que minha esposa falou sobre honra, é necessário que nós, maridos, honremos as nossas esposas, pois até as nossas orações podem ser impedidas se não estivermos honrando as nossas esposas.
A honra se mostra em ações
“Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura” (Colossenses 3.19).
Irmãos, estes momentos em que estamos aqui falando sobre família são tempos de alinhamento. Às vezes, nós, homens, trazemos muitas coisas do trabalho para casa, e eu aprendi a fazer essa separação, porque meus filhos e minha esposa merecem a melhor versão de mim. Eu honro a minha família e a minha esposa não apenas com palavras: preciso ter ações práticas para que eles desfrutem da bênção que vem do cabeça.
*Trechos da mensagem do dia 17 de maio de 2026, na Escola Dominical.

