
Pastor presidente da Verbo da Vida Sede
O maior exemplo de serviço que a humanidade possui é Jesus. Ele veio, primeiramente, assumindo a forma de servo por cada um. Se Ele veio de tal maneira, quem somos nós para pensar em não viver da mesma forma? Ninguém cresce sem servir. Ninguém amadurece sem ser moldado pelo serviço ao próximo.
Quando Jesus lavou os pés dos discípulos, Ele estava executando uma das tarefas consideradas mais baixas pela sociedade da época. Afinal, naquele tempo, usavam-se calçados que não protegiam tanto o corpo de quem os calçava. Lavar pés era lidar diretamente com a sujeira de alguém. Pedro chegou a negar-se a ter seus pés lavados, de tão escandalizado com tal atitude. Mas Cristo afirmou que, se o discípulo não conseguia conviver com aquele serviço, não poderia ter parte com Ele.
Sabe o que é mais interessante? Jesus ainda não parou de servir. Hoje, Ele permanece intercedendo por cada um de nós (Romanos 8.34). Não apenas isso, mas, ainda em sua vinda, o Senhor promete reconhecer seus servos e celebrar essa união da maneira mais inesperada: servindo também.
“Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, os encontre vigilantes; em verdade vos afirmo que ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá” (Lucas 12.37).
Uma necessidade do tamanho da habilidade ao lado
Em Atos, após o derramamento do Espírito Santo, a Igreja do Senhor rapidamente multiplicou-se. No entanto, começaram a surgir os problemas. O primeiro a ser mencionado está relacionado aos helenistas, judeus que não falavam aramaico e que vinham participar das festas de Israel. Mesmo em Jerusalém, havia sinagogas onde as reuniões aconteciam em grego (língua mais global), para que esse povo conseguisse entender a Palavra. Por mais que fosse um grupo específico, estava ganhando volume rapidamente.
Foi nesse contexto que os discípulos perceberam que as viúvas helenistas não estavam sendo bem atendidas. Então, tomaram uma decisão:
“Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária. Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra. O parecer agradou a toda a comunidade; e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos perante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos. Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé” (Atos 6.1-7).
Supridores de lacunas
No original, serviço e ministério provêm da mesma palavra, diáconos, que significa servo ou servidor. Em suma, os apóstolos precisavam continuar servindo na Palavra, mas também precisavam de pessoas servindo às mesas. As duas atividades eram igualmente necessárias, e o mau atendimento a uma estava prejudicando a outra.
As pessoas ali presentes eram as supridoras daquela necessidade. Da mesma forma, cada membro do Corpo de Cristo vem com habilidades e com algo a ser acrescentado. Quando Deus une seu povo, Ele sabe exatamente o que está fazendo. A necessidade de cada um é do tamanho da habilidade de alguém bem ao seu lado.
É interessante observar os nomes levantados. De acordo com os estudiosos, Estêvão, Filipe, Prócoro e Nicanor eram exemplos de nomes helenistas. Sabe o que isso comunica? Eram as pessoas que estavam provavelmente observando a necessidade de que suas viúvas fossem melhor atendidas. Se Deus mostra uma lacuna na igreja, não está dando uma vocação divina de reclamar. Talvez Ele esteja dando uma instrução de algo que se pode trazer para o aperfeiçoamento do Corpo.
Há algo dentro de cada um capaz de abençoar
Onde servir, então? Talvez alguém pense que não canta, que não possui muitas habilidades. A Bíblia instrui:
“Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (I Pedro 4.10-11).
Cada pessoa foi criada por Deus e possui algo em seu interior capaz de abençoar o Corpo. Talvez não seja um talento como o do canto ou um chamado para a ministração da Palavra. Mas há algo dentro de cada um. Até o testemunho pode abençoar vidas quando compartilhado. E isso também é serviço.
Quando se fala sobre isso, vem à memória a parábola dos talentos. Pensa-se automaticamente em talentos humanos, mas, à época, talento era uma medida de peso. Um talento correspondia a seis mil denários, e um denário era um dia de trabalho. Quando Deus entregou um talento a cada servo, entregou algo deveras valioso. Um servo multiplicou seu talento por cinco. Outro, por dez. Ambos foram reconhecidos da mesma forma. Apenas um foi repreendido, aquele que nada fez com o que recebeu (Mateus 25).
Há coisas em Cristo que se recebem por igual. Mas os dons são distribuídos de acordo com as capacidades. Talvez alguém receba dons que chamem mais a atenção. Mas a recompensa não é maior. A fidelidade de cada um é medida da mesma forma que é medida para qualquer outro irmão, pelo tanto que é multiplicada e serve ao Reino.
O zelo não pode ser maior do que o amor
Existem muitos dons dentro da igreja. Cada um tem sido fiel com o seu? Tem multiplicado o que Ele entregou? É preciso ter cuidado para não se ser como Marta, que não estava apenas sufocada por afazeres, mas também inquieta e preocupada ao ver Maria sentada aos pés de Jesus. Ela estava tão focada no que fazia que se indignava ao ver uma atitude distinta da sua diante do Senhor.
Jesus não desprezava o serviço de Marta. E o fato de Maria estar aos pés de Jesus não significava que ela não servia. Afinal, foi Maria que lavou os pés de Jesus com perfume caro em outro momento (João 12.3). O problema não era o serviço, mas a incapacidade de focar primeiramente em quem se está servindo. O zelo não pode ser maior do que o amor. A suposta excelência de alguém não pode levá-lo a se chatear com o próximo. É como um diácono que arruma as cadeiras e fica indignado porque elas são tiradas do lugar na hora do culto. Ninguém serve por mania de organização: serve-se por amor e pela vontade de ver a obra do Senhor progredindo, mesmo que isso signifique precisar refazer o mesmo serviço posteriormente.
Não existe adoração sem serviço
No Antigo Testamento, quando o texto fala que os hebreus iam ao Templo adorar, eles na verdade iam servir por meio de seus sacrifícios.
“Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome. Não negligencieis, igualmente, a prática do bem e a mútua cooperação; pois, com tais sacrifícios, Deus se compraz” (Hebreus 13.15-16).
Hoje, serve-se primeiramente pela gratidão e pelo louvor expressos na vida. Mas serve-se também por meio da prática do bem, seja cumprimentando os que chegam, cuidando dos carros lá fora ou trabalhando com excelência no ambiente profissional. O serviço também acontece fora da igreja. Mas, sem servir à Igreja, dificilmente se saberá servir em um ambiente mais hostil.
As pessoas precisam umas das outras. E Deus tem expectativas nos frutos de cada vida. A habilidade de cada um é perfeita para suprir uma necessidade ao seu lado. O que se tem feito com ela? Se há insatisfação com a própria vida, talvez seja porque se está vivendo apenas para si. Quando a própria vida não for mais preciosa para quem a possui, passará a ser valiosa para outros. Que cada um busque se doar servindo à sua igreja local.
*Trechos da mensagem do dia 21 de junho de 2026, no Culto de Celebração.

