
Integrante do Departamento da Família
Quando recebemos os filhos e entendemos que eles são um presente de Deus, assumimos a responsabilidade de amá-los, corrigi-los e conduzi-los a Cristo.
O que é herança? Ora, a herança é um conjunto de bens, direitos e obrigações normalmente deixados pelos pais à descendência.
Não se trata, portanto, de qualquer coisa. É uma herança que gera em nós uma responsabilidade. Apesar de serem presentes do Senhor, os filhos ainda precisam ter a própria jornada de fé para se reencontrarem com Deus.
Quando lemos a parábola do filho pródigo (Lucas 15.11-16), percebemos algumas coisas de imediato. A primeira delas é a decisão de um filho de querer parte de sua herança. A Bíblia não menciona, em nenhum momento, que o pai o corrigiu ou o aconselhou para não reivindicar aquele direito em plena juventude. Logo aquele filho, o mais novo, o que não sabia administrar bens e nem tinha muita noção da vida (é isso que a palavra “pródigo” significa). Você cederia ao desejo tão sério de um filho claramente despreparado? O pai em questão cedeu.
Uma lei foi infringida para satisfazer aquele rapaz. Afinal, se o homem estava vivo, não havia o que se falar legalmente em herança para os filhos. Existe a partilha de bens, natural do seio familiar, onde as pessoas se amam e provém umas às outras. Mas não existe herança de pais vivos. Para que aquele rapaz tivesse o desejo atendido, o pai passou por cima de si mesmo e dos princípios norteadores da sociedade hebraica.
Sabemos o que aconteceu depois. Aquele moço gastou tudo irresponsavelmente, longe dos seus. Já inferimos uma lição: nem tudo o que seu filho pede, deve ser concedido. Nem sempre isso será a resolução da questão. Por que aquele rapaz queria sair de casa? O que o fazia não se sentir bem em um lar onde era tão bem servido? Essas perguntas talvez nunca tenham sido feitas. O que ocasionou toda a rebeldia do rapaz, talvez nunca foi trazido à tona e tratado antes de ocasionar maiores problemas.
Quando o filho cai em si e se levanta para ir ao pai, é recebido com a compaixão que tão bem conhecemos. Foi um final feliz. Apesar dos erros cometidos por ambos (pai e filho), o rapaz lembrou do que vivia junto à família e de como poderia estar num lugar melhor do que onde terminou.
Os seus filhos observam você
O seu filho observa a casa onde vive. Guarda isso dentro dele. Leva isso com ele. Ele quer falar o que você fala, quer ir aonde quer que você vá e repete os seus gestos. Essa é uma boa oportunidade de se perguntar o que você está fazendo e qual exemplo está dando.
Atualmente, alguns pais têm os filhos para riscar um item na lista de desejos da vida. Entregam às colaboradoras ou terceirizam à escola. Aqui, não estou querendo trazer condenação pois sei que o Brasil é um país onde, na maioria das casas, o homem e a mulher precisam trabalhar. Mas os nossos filhos não têm culpa disso.
O tanto quanto pudermos, precisamos ser presentes na vida dos nossos filhos.
Na Bíblia, existe um exemplo de família que, com certeza, não queremos seguir: a família de Eli. Ele era um homem de Deus, mas tinha filhos que profanaram o templo do Senhor e Eli nada fez sobre isso. Ele não os corrigiu. Como resultado, os filhos de Eli morreram e o próprio Eli, em seguida, morreu também.
Você pode ser cristão e ter muitas promessas no Senhor, mas se não cumprir a sua responsabilidade de amar, educar e corrigir a sua descendência, sofrerá as consequências disso.
“E tu, ó menino, serás chamado profeta do Altíssimo, Porque hás de ir ante a face do Senhor, a preparar os seus caminhos;” (Lucas 1.76).
Por outro lado, João era apenas um bebê quando o pai proferiu as palavras lidas no Evangelho de Lucas. Zacarias e a esposa eram tementes a Deus e o pai profetizou sobre o filho logo após o nascimento. Este é o tipo de palavra que devemos declarar sobre a nossa descendência: são abençoados, galardão dos Céus, presentes do Senhor. Os filhos serão criados para a glória de Deus e darão frutos para Ele.
Tempo para os filhos
Não há milagres nessa área. Sem estar perto Dele, não há como fazê-lO conhecido aos que você gerar. Sem seguir a Palavra, não há como cuidar do lar de uma forma frutífera. Por isso, sempre é importante analisarmos as nossas prioridades.
Quero destacar que a parábola do filho pródigo tem lições muito preciosas. Nós vimos o erro no comportamento do pai logo no início. Quero, no entanto, destacar outro momento:
“Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés; E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos; Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se” (Lucas 15:22-24).
O pai ordenou que trouxessem suprimentos para o filho arrependido, depressa. DEPRESSA. Como pais, não podemos perder a abertura que os filhos nos dão, não podemos perder a oportunidade que se coloca diante de nós para construirmos uma relação duradoura com eles. Isso pode ser a salvação da sua casa. Se você não for amigo do seu filho, alguém mais será.
Eu já brinquei muito com os meus filhos. Já rolei no chão com eles. Já os carreguei nos ombros. Ensinei e corrigi. Não me arrependo de nada. Acredito que falhei em alguns momentos, mas estive na posição onde recebi a responsabilidade de Deus para estar.
O nosso tempo com os nossos filhos se chama “hoje”. Não viva para trabalhar. Trabalhe para viver. Você sempre deve tratar sua família com zelo e cuidado.
*Trechos da ministração do dia 15 de março de 2023, no Culto da Família.

